Sanguessugas se alastram pelo País
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sábado, 05 de agosto de 2006
Ribamar Oliveira e Sônia Filgueiras<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, disse ontem que identificou uma nova ramificação do esquema de fraudes na venda de ambulâncias superfaturadas que atuava, a partir do Paraná, em vários Estados. Segundo Hage, o fio da meada nas investigações da CGU foi puxado a partir de uma carta incluída na prestação de contas do município de Guaraciaba, em Minas. O documento coloca em cena o nome do deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), que não integra o grupo dos investigados pela CPI dos Sanguessugas, e a empresa Domanski. ''Essa é uma nova máfia que está sendo descoberta'', afirmou o ministro.
Hage informou que já foi possível identificar mais três esquemas que atuavam na venda superfaturadas de ambulâncias, simultaneamente à Planam. Além da Domanski, o ministro citou a empresas KM e Leal Máquinas - estas duas já listadas pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos chefes do esquema sanguessuga. ''O trabalho desses grupos já foi todo mapeado pela CGU, em parceria com a Polícia Federal'', afirmou o ministro.
Nas investigações da CGU, surge ainda o nome do deputado Márcio Reinaldo (PP-MG), que também não está incluído no rol de citados no caso sanguessuga. Um assessor seu, no entanto, foi demitido por ter recebido depósitos da máfia das ambulâncias. A CGU encontrou irregularidades na aplicação dos recursos de uma das emendas do deputado. Liberada em 2001, a emenda destinava recursos para a compra de um ônibus, que seria utilizado como unidade de saúde no município mineiro de Pompeu. Comprado como novo, o veículo tinha dez anos de uso e parou 3 meses depois de chegar à cidade.
Carta - Conforme Hage, a carta incluída na prestação de contas da prefeitura de Guaraciaba indica que o esquema agora descoberto funcionaria há pelo menos sete anos. Datada de 1999, ela foi redigida pela direção da Domanski, que no texto, oferece seus serviços de fornecedora de ambulâncias. O autor esclarece que envia o documento por saber que o prefeito local é ''da confiança do deputado Nárcio Rodrigues'', com quem tem ''parceria''. Ao deixar os contatos, o empresário, autor da carta, dá os telefones do gabinete do deputado Nárcio e de seus assessores, evidenciando um suposto vínculo.
Em seu depoimento à Justiça Federal, Luiz Antônio Vedoin, afirma que a Domanski pertenceria ao empresário Silvestre Domanski, que atua na região Sul. A reportagem não localizou, até o final desta edição, o empresário. O deputado não foi localizado nem em Brasília e nem em Belo Horizonte.


