Sanguessugas fraudavam venda de ônibus, denuncia CGU
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Leonardo Souza<br>Folhapress 
Brasília - A CGU (Controladoria Geral da União) investiga 4.000 convênios entre o Ministério da Educação e prefeituras para a compra de ônibus escolares nos quais pode ter havido fraudes na licitação. O responsável pelo órgão, ministro Jorge Hage, disse à reportagem não ter dúvida de que a quadrilha dos sanguessugas também manipulava concorrências para fornecer ônibus escolares aos municípios nos mesmos moldes do que ocorria com ambulâncias e unidades móveis para inclusão digital.
A CGU já identificou fortes indícios de fraude em licitações feitas por pelo menos dez cidades, todas no Mato Grosso, onde fica a sede da Planam, principal beneficiária do esquema de venda superfaturada de ambulâncias. Em oito dessas dez cidades, as vendas superaram R$ 500 mil.
De acordo com Hage, dos dez casos, em nove a vencedora foi a Santa Maria, uma das empresas de fachada usada pela Planam. No outro, foi a própria Planam. As demais concorrentes eram empresas também ligadas à Planam. Tanto no caso das ambulâncias quanto no dos ônibus destinados à inclusão digital, os recursos eram liberados pelos ministérios a partir de emendas parlamentares.
Segundo o ministro da CGU, os mesmos deputados que fizeram emendas na área de saúde e de ciência e tecnologia, beneficiando a Planam, também são autores de emendas para a compra de ônibus escolares. ''Sem dúvida nenhuma, o esquema é o mesmo. São as mesmas empresas, o mesmo modus operandi. Em muitos casos, são emendas de autoria dos mesmos deputados'', disse.
O procurador Mário Lúcio Avelar, do Ministério Público Federal em Mato Grosso, havia dito à CPI dos Sanguessugas anteontem que haveria indícios de que a máfia também atuava na venda de ônibus escolares. Ontem, o Ministério da Educação divulgou uma nota na qual informou que somente em 2001 houve liberação de emendas parlamentares para aquisição de ônibus escolares por prefeituras.


