Curitiba - A comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara deve divulgar hoje uma nova lista com nomes de deputados que serão investigados por suposta participação no esquema de desvio de recursos do Orçamento por meio da venda de ambulâncias superfaturadas. A comissão apura denúncias contra 16 deputados, mas o número pode subir para 24.
O nome do deputado federal paranaense Íris Simões (PTB) aparece no livro-caixa da Planam, empresa que vendia ambulâncias superfaturadas para prefeituras, como recebedor. Além de Simões, outros 23 deputados estão sob suspeita de apresentar emendas na Câmara Federal pedindo verba ''superfaturada'' ao Ministério da Saúde para compra de ambulâncias por prefeituras. Uma ex-funcionária do Ministério é acusada de aprovar as emendas ''marcadas''. No esquema, a Planam vendia as ambulâncias por um preço superfaturado e devolvia a diferença aos prefeitos e deputados. A fraude foi descoberta pela Polícia Federal, que batizou de ''Operação Sanguessuga''. A presidência do Congresso recebeu um requerimento para a criação de uma CPI mista dos Sanguessugas.
De acordo com a Câmara dos Deputados, atualmente 16 parlamentares estão sob investigação de uma comissão de sindicância da Corregedoria da Casa. E outros oito aparecem com nome e número de conta bancária ao lado de valores que variam de R$ 700 a R$ 50 mil no livro-caixa da Planam, entre eles Simões. Segundo a ex-servidora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, que seria o braço da quadrilha no Executivo, a Planam mantinha contato com 283 parlamentares. A maioria, de acordo com ela, teria recebido propina da empresa. ''Os documentos são muito mais complexos do que imaginam. Estamos fazendo o cruzamento praticamente manual dessas listas, com atenção e cautela'', explicou o relator da Comissão de Sindicância, deputado Robson Tuma (PFL-SP). As investigações devem ser concluídas em 30 dias.
Para ampliar as investigações da Comissão de Sindicância, o Psol, PPS e PV encaminharam um requerimento pedindo a abertura de uma CPI mista para investigar a questão. O documento contou com a assinatura de 210 deputados e 30 senadores. A reportagem da Folha tentou contatar insistentemente Simões, tanto em seu gabinete em Brasília quanto em seu escritório em Curitiba, porém não obtve retorno das ligações.

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