Sanepar só interessa como estatal, diz Sella
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
''O contrato com a Sanepar só interessa ao município se ela pertencer ao Estado''. A declaração foi feita ontem à tarde pelo presidente do Comitê de Água, Esgoto e Saneamento de Londrina, Wilson Sella, durante reunião extraordinária que resultou em um documento entregue ao prefeito Nedson Micheleti (PT) exigindo que ele tomasse uma posição sobre o caso. Em artigo publicado na edição de ontem da Folha, o governador Roberto Requião (PMDB) falou dos riscos de a empresa voltar à inciativa privada, advertindo, entre outros, o município de Londrina. No fim do dia, por meio de sua assessoria de imprensa, Nedson informou que a proposta do Comitê negociar com a Sanepar só na condição de estatal foi aceita.
De acordo com Sella, a maior preocupação do grupo é o Mandado de Segurança impetrado no Tribunal de Justiça (TJ) do Estado pela empresa Dominó Holdings S/A, pela recuperação do controle da gestão da Companhia de Saneamento. O comando pelo Governo do Paraná foi obtido ano passado, por decreto, mas até agora três dos 21 desembargadores com direito a voto já optaram a favor da iniciativa privada.
''A parceria vai ficar difícil se não for com o Estado, pois sabemos que não será adotada uma política social como a que vem sendo colocada em prática'', afirmou, se referindo as mais de 10 mil famílias beneficiadas pelas tarifas sociais em 2003, segundo o gerente de Operações da Sanepar em Londrina, Sérgio Roberto Bahls. ''Que Deus ilumine o Judiciário e a decisão seja justa. Dependemos dela para ter a imagem da Companhia resgatada'', resumiu.
Sella adiantou que novo encontro do Comitê está marcado para o próximo dia 18, às 17 horas, no auditório da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Nele, será discutido o modelo de gestão para quando for aberto o processo licitatório do serviço, hoje em caráter emergencial até junho. ''Esse contrato atual com a Sanepar é atípico: o município abre mão da definição de tarifas e estratégias. Agora, não podemos comprometer os próximos 20 anos, o debate não pode ser precipitado'', analisou.
De Florianópolis, onde participa do 8º Congresso de Legisladores da Região Sul, o presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, vereador Orlando Bonilha (PL), defendeu que o poder público é que tem de gerir o serviço. Favorável à municipalização desde 2003, contudo, ressaltou: ''É inadmissível que um estrangeiro comande o serviço''.


