Sanepar quer vender ações a franceses
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sábado, 15 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaDe olho no futuroCarlos Afonso Teixeira de Freitas: possibilidade do governo aplicar na Sanepar a mesma fórmula da Copel para a venda das ações. A direção da Sanepar apresenta no próximo mês aos seus acionistas uma proposta de abertura do capital. Os estudos para isso já estão sendo executados e poderão resultar na emissão de debêntures lastreadas nas ações da Sanepar. Esta foi a fórmula adotada pelo governo do Paraná para vender parte de suas ações na Copel.
A Lyonese Des Eaux, empresa de saneamento da França que opera sistemas de água e esgoto na Argentina e Limeira, no interior de São Paulo, já demonstrou interesse em adquirir ações da Sanepar. Um grupo de executivos da empresa francesa, uma das maiores da Europa, desembarca em Curitiba até o final de março para conhecer a estrutura da Sanepar. Em sua última viagem à França, o governador Jaime Lerner manteve encontros com os executivos da Lyonesse.
Segundo o presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, a abertura de capital faz parte da estratégia de crescimento da empresa para a competição do mercado. A partir do ano 2003 começam a vencer os contratos de concessão assinados pelos municípios do Paraná com a Sanepar para a exploração dos sistemas de água e esgoto.
Quando esses contratos vencerem, a Sanepar terá que competir com empresas privadas nas concorrências públicas, exigidas por lei. Para isso, a empresa precisa de um novo modelo de gestão, afirmou Freitas.
Esse novo modelo de gestão implica, segundo o próprio presidente, em redução de despesas, remanejamento de pessoal e enxugamento de quadros. A participação da iniciativa privada no capital da empresa é outra base desse planejamento. Além da Lyonesse, Freitas disse que a francesa Generale Des Eaux e outras empresas norte-americanas e inglesas estão participando do processo de privatização dos serviços de água e esgoto em todo o mundo.
Para operar no Brasil, essas empresas estrangeiras estão firmando parcerias com empreiteiras como a CBPO, Andrade Gutierrez e Castilho. No próximo mês de maio, por exemplo, a Castilho inicia a operação do sistema de água e esgoto em Paranaguá, que privatizou os serviços, antes executados pelo próprio município.
Freitas admite a possibilidade do governo aplicar na Sanepar a mesma fórmula da Copel para a venda das ações. Mas ressalta que tudo ainda depende de estudos. Ele disse que no início do governo Jaime Lerner, o valor unitário da ação da Sanepar era de R$ 0,25. Hoje, o preço no mercado de balcão das bolsas é de R$ 1,25. Isso é quase metade do valor patrimonial, de R$ 2,86. Pelo projeto em estudo, o governo poderá vender as ações da Sanepar por 50% do valor patrimonial, adiantou.


