Curitiba - O presidente do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Pedro Henrique Xavier, encaminha ainda hoje para a Justiça Estadual uma ação civil pública pedindo o ressarcimento aos cofres públicos de R$ 40 milhões que teriam sido retirados do tesouro estadual e encaminhados para divisão entre os acionistas da Sanepar. A ação tem como fundamentação uma carta inicial que teria sido enviada para o então secretário de Estado da Fazenda, Ingo Hubert. Na carta, o ex-presidente da Sanepar Celso Teixeira de Freitas fundamentava a necessidade da devolução dos recursos que teriam sido investidos em sistemas de abastecimento deficitários. Teixeira dizia que a Sanepar agora visava o lucro, estava privatizada e não tinha mais como meta subsidiar sistemas inviáveis de pequenos municípios.
''Na verdade, 209 dos 399 municípios do Paraná se encaixavam no perfil de deficitários. Ele dizia que investir nesses municípios era incompatível com a nova Sanepar. Por isso mesmo é que vou pedir a devolução desses valores na Justiça Estadual'', explicou Xavier, em entrevista à Folha. Ingo teria aprovado no mesmo dia a solicitação da Sanepar. No dia seguinte, os recursos já estavam disponíveis na Sanepar e entraram na contabilização como lucro, sendo dividido entre os acionistas. Do montante de R$ 40 milhões que eram do Estado, R$ 24 milhões ficaram com a Sanepar. O restante foi distribuído para os demais acionistas.
''É uma contabilidade feita por criminosos, quadrilheiros. Um grupo de piratas, oportunistas e falsários que assaltaram os cofres do tesouro estadual. A Sanepar não era mais do governo do Estado e estava sendo usada pelos canalhas que compunham o chamado Grupo Dominó'', acusou o governador Roberto Requião (PMDB), em entrevista coletiva à imprensa. Requião ironizou e disse que apenas ''não sabia o porquê que Teixeira e Ingo continuavam soltos depois de tudo o que fizeram contra o patrimônio público''.
Na semana que vem, a Sanepar vai encaminhar toda a documentação que comprovaria as irregularidades para o Ministério Público (MP) estadual, que poderá arquivar a documentação ou apresentar denúncia depois da análise das provas apresentadas. ''A análise desses documentos me fez pensar que o governo do Paraná virou pateta nessa história. Onde já se viu dar R$ 40 milhões e receber de volta apenas R$ 24 milhões'', questionou Xavier. Os documentos não foram apresentados ontem para a imprensa, mas serão mostrados em público de acordo com Xavier na terça-feira, na reunião semanal do secretariado.
Os advogados Roberto Brzezinski Neto (área criminal) e Cid Campêlo (área cível), que defendem Ingo Hubert, disseram ontem à Folha que não tinham conhecimento das denúncias. Por isso, não comentariam o caso. Assessores do grupo Dominó também foram procurados pela Folha mas não quiseram comentar as denúncias.

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