Curitiba - A Sanepar rebateu ontem as acusações do deputado Barbosa Neto (PDT), que levantou suspeitas de superfaturamento na compra de caixas com copos de água em 2004. De acordo com Barbosa Neto, a Sanepar teria gasto R$ 1,2 milhão para comprar 60 mil caixas com 48 copos de 200 ml cada, o que daria um total de R$ 20,70 por caixa. O preço encontrado no mercado para a mesma caixa é de cerca de R$ 10.
O deputado também acusou a Sanepar de beneficiar a empresa contratada para realizar o envase da água, a Assesa Empreendimentos. ''99% do capital da Assesa Empreendimentos pertence a União das Associações dos Empregados da Sanepar. Essa união é presidida por Hamilton Aparecido Gimenez, que faz parte do Conselho de Administração da Sanepar. Ou seja, ele homologou uma licitação que favorecia a ele mesmo'', acusou o pedetista.
Ontem, a Sanepar apresentou documentos que comprovam que a Assesa Empreendimentos foi contratada para envasar 120 mil caixas de copos ao longo de um ano, e não 60 mil como argumenta o deputado. A empresa teria recebido R$ 696 mil pelo serviço, o que equivale a R$ 5,80 por caixa envasada. Os demais custos (compra de copos, tampa de papel-alumínio, etc) elevariam o preço final do produto para cerca de R$ 10, semelhante ao praticado no mercado.
Em nota oficial, a Sanepar esclareceu também que a Assesa foi escolhida para o serviço após vencer uma concorrência nacional com divulgação em vários jornais. A licitação, porém, não apresentou outros interessados. A nota da Sanepar também esclarece que a Assesa Empreendimentos tem como sócios todos os funcionários da empresa, o que excluiria o favorecimento pessoal de Gimenez ou de qualquer funcionário em especial.
Apesar da argumentação da Sanepar, o presidente do Conselho de Administração da estatal Sérgio Botto de Lacerda optou por não homologar uma segunda licitação vencida pela Assesa este ano por julgar que seria uma subvenção da Sanepar a servidores da mesma. Com a homologação revogada, a Sanepar passou a estudar a possibilidade de um convênio com a Assesa, que teria que ser aprovado pelo governador. Fontes do Palácio Iguaçu afirmavam ontem que Requião não iria assinar o convênio.

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