Sanepar esclarece sobre obras no Litoral
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quarta-feira, 14 de março de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Sanepar, Stênio Jacob, e outros diretores da empresa estiveram ontem pela manhã na Assembléia Legislativa para prestar esclarecimentos sobre os aditivos contratuais que elevaram em mais de R$ 40 milhões os custos de obras de saneamento no Litoral do Estado, realizadas pela construtora Pavibras. O encontro foi organizado por deputados da bancada de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB), que afirmaram ter ficado convencidos de que não houve irregularidades no valor da obra.
Segundo o deputado Reinhold Stephanes (PMDB), que participou da reunião, os parlamentares receberam uma explicação técnica sobre os contratos. A responsável pela explanação foi a engenheira e advogada Cristiane Schwanka, que à época do início das obras era a presidente da Comissão de Licitações da Sanepar.
Em 2002, no governo Jaime Lerner, a empresa venceu a concorrência para as obras no Litoral com uma proposta de custo de R$ 69 milhões. O valor era R$ 11 milhões inferior à previsão total da obra, conforme indicava estudo da Sanepar. Segundo a estatal, os problemas começaram ainda no primeiro ano, quando o Ministério Público pediu a interrupção da obra por problemas na licença ambiental. No mesmo ano, uma subida no preço do aço e do PVC, materiais utilizados na obra, teriam elevado os custos.
O tempo pelo qual a obra ficou parada e os aumentos de preços resultaram em um pedido de reequilíbrio do contrato. A partir de 2004 a empresa teria recebido R$ 31 milhões em aditivos contratuais, além de outras quantias a título de reajustes. No total, de acordo com os dados passados pela Sanepar aos deputados, a obra já alcançou um valor de R$ 113 milhões, R$ 44 milhões a mais do que o custo original. Até agora, as melhorias no saneamento do Litoral estariam 88% concluídas.
''Saí da reunião convencido de que nesse contrato não houve nada de errado'', afirmou Stephanes Junior. A posição é a mesma do líder da bancada do governo Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). ''Tivemos uma discussão técnica, não política. Tudo foi bem explicado e os parlamentares que participaram saíram convencidos da licitude do contrato'', disse. Os aditivos contratuais, chegaram a ser contestados dentro do próprio Conselho de Administração da Sanepar (CAD) e são alvo de uma investigação do Ministério Público.
A reunião de ontem, convocada pela bancada governista, desagradou os deputados de oposição a Requião. Eles afirmaram que nem sequer foram convidados para o encontro. ''Quem quer prestar esclarecimentos a esta Casa não precisa se fechar entre quatro paredes'', criticou Valdir Rossoni (PSDB), líder da oposição.


