Curitiba - As divergências em laudos que avaliaram dois terrenos que estão sendo desapropriados em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) poderão resultar em demissões. Os técnicos avaliaram os terrenos numa área de interesse da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) com valores que chegaram a diferenças de até 400%. Um dos terrenos por exemplo teve uma avaliação inicial de R$ 593 mil e outra avaliação de R$ 2,3 milhões. Não houve uma nova avaliação e a Sanepar decidiu pagar pelo valor mais alto. Um segundo terreno ao lado foi avaliado em valores similares e foi desapropriado por R$ 830 mil.
Os técnicos que assinaram os laudos foram chamados para explicações na última reunião do Conselho de Administração (CAD) da Sanepar. E não convenceram os conselheiros sobre os métodos usados para chegarem na composição dos preços. ''É possível que haja demissão. Se o trabalho foi realmente equivocado. Mas ainda estamos analisando. Essa semana, iremos decidir'', confirmou Stênio Jacob, presidente da Sanepar. Se houvesse demissão, seria sem justa causa. Jacob não quis entrar em detalhes e comentou que não daria mais entrevistas sobre o tema.
Inicialmente a desapropriação e o pagamento dos imóveis foram aprovados no dia 11 de fevereiro pelo CAD, que não tinha conhecimento de avaliações anteriores. Nova reunião de emergência foi marcada para semana passada e ficou decidido que ''os eventuais questionamentos quanto à validade dos laudos técnicos analisados somente poderão ser dirimidos pelo Poder Judiciário''. A perícia judicial teria que ser promovida em caráter emergencial para evitar perdas para o governo do Estado - como a paralisação indevida das obras do Piraquara II.
Entre os possíveis demitidos estaria o engenheiro chefe do Setor de Avaliações da Sanepar.

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