BRASÍLIA - Com um total de R$ 15,9 bilhões de gastos de investimentos e custeio da máquina pública bloqueados via decreto, o Orçamento da União em 2005 encolheu até em relação à proposta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso em agosto. Os cortes anunciados ontem sem detalhes atingirão sobretudo despesas com saneamento, defesa nacional e reforma agrária.
O principal argumento do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) para justificar o corte profundo nos gastos aprovados pelo Congresso foi conter o crescimento da carga tributária no país. Nos cálculos revistos pelo governo, a arrecadação de tributos federais deverá representar uma parcela ligeiramente menor do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano. Com isso, as despesas não-obrigatórias do governo excluídos os gastos com pessoal, pagamentos de benefícios sociais e juros da dívida também cairão em 2005 em relação ao PIB, calculou Nelson Machado, ministro interino do Planejamento.
''Tenho certeza de que o Congresso vai compreender'', disse Palocci sobre o tamanho dos cortes no Orçamento, que deverão comprometer a liberação de verbas públicas para a maior parte das emendas apresentadas por deputados e senadores. No conjunto, as emendas somam gastos de quase R$ 10 bilhões ou pouco mais que 60% do corte anunciado hoje.

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