Nem primeira mulher a assumir o Executivo municipal pela primeira vez na história de Londrina, nem primeira presidente eleita da Câmara de Vereadores: mais que isso, a eventual figura de Sandra Graça (PP) à frente da Prefeitura, a partir de 1º de janeiro, ainda que interinamente, é a consolidação da herança política de Antonio Belinati (PP) no poder, mesmo que o ex-prefeito tenha tido o registro da candidatura cassado Tribuinal Superior Eleitoral (TSE) em última instância, semana passada. Pelo menos essa é a avaliação feita por analistas políticos que, consultados ontem pela FOLHA, traçaram um panorama político do que a pepista representará em eventual mandato tampão que se vislumbra para a administração municipal, a partir do dia 1º .
Sandra foi anunciada ontem de manhã cabeça-de-chapa, na disputa pela Presidência da Câmara, no grupo que tem representantes de PTB, PTC, PMDB e PDT e que representa, ao menos por ora, o apoio formal (escrito) de 12 dos 19 candidatos recém-eleitos para o Legislativo. Também ontem, mas à tarde, a Justiça Eleitoral em Londrina encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedido que o novo segundo turno seja marcado entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), o que praticamente consolida a interinidade.
Para o cientista político Marco Rossi, ''nenhuma outra figura representa tão bem hoje o Belinati, para uma situação dessas, quanto a Sandra Graça'', disse, lembrando que a vereadora, do grupo do candidato, já foi chefe de gabinete na terceira gestão dele e, desde então, vem manifestando publicamente apoio ao aliado. ''O que me causou espanto, na verdade, é como que 12 vereadores compacturam com isso logo de cara. É estranhíssimo - e ainda que se fale que é pelo conhecimento que a vereadora tem, de Câmara, não se pode esquecer que ela atua bem dentro de aspecto bastante conservador, o mesmo que levou à eleição do Belinati'', avalia Rossi.
O professor de Ética e Filosofia Política, Elve Cenci, vai na mesma linha. ''Essa é uma vitória do grupo de Belinati, que com certeza teve articulação política maior que a de PSDB e PT'', acredita. De acordo com Cenci, a escolha do ''grupo dos 12'' muda também uma configuração de plenário desenhada à época do segundo turno, quando a maior parte dos eleitos declarara apoio ao tucano. ''Agora, Hauly tem uma oposição e Barbosa, um cenário mais favorável. Se Belinati voltar, por decisão do Supremo (Tribunal Federal), vai 'nadar de braçada' com uma Câmara dessas'', alerta. Na opinião do estudioso, faltou capacidade de o PSDB se articular melhor - de modo que, há poucos dias, a sigla tinha dois candidatos à Presidência. ''E com muitos partidos pequenos eleitos, ficou mais fácil para o PP negociar - porque o PSDB/DEM têm a equipe deles'', definiu.
Já o sociólogo Ariovaldo dos Santos aposta em outra linha: a escolha por Sandra revela ''não uma representação de Belinati, já que ela conquistou uma base recente; valeu mais a experiência dela como vereadora''. Mas ele faz uma ressalva: ''O mandato-tampão ainda trava a cidade em decisões importantes, independentemente de quem for o prefeito interino. Caso o contrário, seria o caos''.

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