Sandra Graça depõe no Gaeco sobre ex-assessor
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2009
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
A presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal de Londrina, vereadora Sandra Graça (PP), prestou depoimento ontem ao coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Cláudio Esteves, no procedimento que apura suposto pagamento a assessor ''fantasma'' em seu gabinete, na Legislatura passada. De acordo com o promotor, a vereadora foi chamada após a resposta do Legislativo a respeito de um período de pouco menos de um mês, em 2008, em que o então assessor parlamentar comunitário Salvador Yukuhide Kanehisa teria se ausentado das atividades para as quais fora nomeado durante viagem de quase um mês ao Japão, sem, contudo, quaisquer descontos do salário de R$ 1,5 mil.
O procedimento foi instaurado pelo Gaeco em maio do ano passado, após informações de que Kanehisa trabalharia, em horário de expediente na Câmara, em uma marcenaria na Vila Recreio (Centro), da qual era sócio. Além disso, o ex-assessor ainda era dono de uma academia de artes marciais na Vila Fraternidade (Zona Leste) e instrutor de artes marciais em um curso de 70 horas do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), voltado a defesas pessoais. Na ocasião, Kanehisa estava lotado no gabinete de Sandra desde 2001.
A vereadora deixou a sede do Ministério Público (MP), ontem, sem falar com a imprensa. A mesma postura foi adotada por um advogado que a acompanhava, o qual não quis se identificar.
De acordo com o promotor, a resposta da Câmara indica que Kanehisa ''não gozou de férias nenhuma vez durante o período em que esteve contratado''. Sobre a ausência do ex-assessor para viagem ao exterior, Esteves afirmou que o ex-funcionário ''acha que pediu ao Recursos Humanos do Legislativo'' o desconto dos dias de viagem, ''mas não se lembrou''. ''A vereadora informou que o ex-assessor foi indenizado por férias e que é possível que essa prática se repita com outros assessores. Isso chama muito a atenção, tanto que encaminharemos o procedimento relatado na esfera criminal também à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público'', afirmou.
A assessoria legislativa confirmou que recebeu, do MP, a solicitação de toda a vida funcional de Kanehisa - o que foi encaminhado, mas o teor, não revelado à reportagem. Oficialmente, a Casa informou apenas que tanto comissionados do setor administrativo quanto os de gabinete, bem como efetivos, têm de requerer as férias diretamente às chefias imediatas, ou seja, respectivamente o presidente da Casa, o vereador ao qual o assessor está ligado ou à chefia do setor.


