Curitiba - Confirmando as especulações que corriam há meses nos bastidores, o presidente brasileiro da Usina de Itaipu Binacional, Jorge Samek, foi escolhido para coordenar no Paraná a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição. Samek deve se licenciar em breve do cargo – onde está desde 2003, por escolha do próprio Lula.
  Ontem mesmo Samek tinha agenda em Brasília, com Lula. Em entrevista à Folha, Samek disse que está analisando a situação, pois ele não pode acumular a coordenação da campanha com a direção de Itaipu. ‘‘Vou analisar e conversar com o presidente, pois não posso acumular as duas funções e temos uma série de projetos importantes na usina’’, afirmou.
  Regionalmente, a escolha de Samek para coordenar a campanha de Lula está sendo colocada pelo PT como um fortalecimento do partido local e por conseqüência da candidatura ao governo do senador Flávio Arns (PT), em detrimento do governador Roberto Requião (PMDB) – que em 2002 se elegeu com o apoio de Lula.
  A candidata ao Senado pelo PT paranaense, Gleisi Hofmann, que já ocupou uma diretoria em Itaipu, comemorou a escolha de Samek para a função. ‘‘Ele é a pessoa com o perfil correto, ideal. Tem bom trânsito em todos os setores e junto ao presidente’’, comentou Gleisi.
  A cúpula do PT estadual passou a manhã de ontem reunida num hotel em Curitiba para traçar as estratégias da campanha de Flávio Arns, que tem como vice o ex-prefeito de Guarapuava Victor Hugo Burko. O PT encabeça a coligação ‘‘Paraná Unido’’, que inclui PL, PC do B, PRB, PHS e PAN.
  A coordenação operacional e logística da campanha de Arns ficou nas mãos do sindicalista Roberto von der Osten. Já a coordenação política tem diversos integrantes, entre eles o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti.
  Os petistas do Estado decidiram que a agenda de campanha de julho será dedicada à consolidação dos apoios. De acordo com Arns, ele, Burko e Gleisi vão visitar todas as regiões do Estado. O ministro Paulo Bernardo participou do encontro e explicou que a idéia é fazer reuniões com prefeitos – independente do partido deles –, câmaras municipais, sindicatos, entidades do terceito setor, empresários, levando a campanha para ‘‘fora dos limites do partido’’.
  A partir de agosto, a campanha de rua será reforçada, até porque começa o horário eleitoral gratuito em rádio e TV. Segundo Bernardo, os programas sociais de Lula estarão entre os pilares da campanha. O ministro citou a pesquisa Datafolha, divulgada ontem. A pesquisa revela que, no governo Lula, o incremento de renda nas camadas mais pobres da população fez com que seis milhões de eleitores evoluísse, em sua maioria, da classe D/E para a classe C. ‘‘Vamos falar bastante também da política econômica’’, disse Bernardo.

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