Arquivo Folha‘Supersecretaria’Salomão: nova Pasta assumirá algumas funções das secretarias de Planejamento e Indústria e ComércioO governador Jaime Lerner encontrou uma fórmula para garantir espaço para o secretário da Fazenda, Miguel Salomão, no governo. Antecipando-se a um possível pedido de demissão, o governador determinou a criação de uma nova secretaria para acomodar Salomão, que passa a ter um novo status na equipe de Lerner.
A nova pasta, que pode vir a se tornar uma ‘super-secretaria’, vai tratar dos aspectos econômicos de interesse do governo e da ‘‘engenharia financeira’’ do Paraná junto ao governo federal. Sem nome definido - o mais provável é Secretaria Especial para Assuntos Econômicos e Reforma do Estado - a pasta puxa funções estratégicas das secretarias da Indústria e do Comércio, Planejamento e Fazenda.
O cargo assegura ainda poderes sobre o Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), órgão hoje submetido ao comando do secretário do Planajemanto, ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. O texto, que cria no papel a função, está sendo mantido em sigilo pelo chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis. Ontem ele tratava de negar, com mau humor, as alterações, esperadas desta vez para a próxima semana.
Mas quem parece ter cansado de ler calado notas de jornais dando conta de sua queda na Secretaria da Fazenda é Miguel Salomão. Ontem ele confirmou à Folha a criação do novo cargo, mas ressalvou que a decisão de quem vai ocupá-la é incumbência exclusiva do governador. ‘‘Estou à sua disposição e ele (Lerner) conhece bem as minhas qualificações’’, afirmou o secretário, que se disse ‘‘habilitado para atuar na área de planejamento’’. ‘‘Mas o juiz é o governador’’, reforçou.
Apesar de já admitir a mudança, o secretário da Fazenda procurou não estimular polêmica interna. Ele garantiu que a nova pasta ‘‘não esvazia’’ a Secretaria da Indústria e do Comércio, ocupada atualmente por Nelson Justus. ‘‘Justus, Gionédis e eu sempre integramos uma espécie de equipe múltipla que sempre tratou de questões como a vinda das montadoras. Há uma coordenação muito grande entre nós, e o governador é sempre quem comanda isso’’, disse.
Sondado diversas vezes para assumir a presidência do Banestado, Miguel Salomão explicou as razões que o levaram a não aceitar a possibilidade considerada mais vantajosa pelo Palácio Iguaçu e que resolveria o problema de seu remanejamento, num primeiro momento. ‘‘Recusei o Banestado porque não vejo mais nenhum desafio nesta função’’, afirmou. ‘‘Os 36 anos dentro de um banco já foram suficientes para a minha carreira’’, resumiu.
A criação da pasta para Salomão já causou reações nos bastidores. O secretário Nelson Justus chegou a classificar como ‘‘absurda’’ a decisão. ‘‘Seria o mesmo que criar mais uma secretaria da Indústria e do Comércio’’, reagiu ele, ainda não informado oficialmente da decisão.
Os caciques do PTB, partido que indicou Justus para o cargo, vêem o mais provável rearranjo do governo com cautela e desconfiança. Uma ala petebista já defende a volta de Justus para a Assembléia Legislativa.

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