Brasília - Passar num concurso para o Congresso é o passaporte para um empregão. Os salários são bem superiores aos pagos no poder Executivo e na iniciativa privada, principalmente se a função ocupada não exigir especialização. Enquanto um operador de máquina copiadora ganha em média pouco mais de um salário mínimo nas empresas privadas, R$ 264, na Câmara a função ganha o nome pomposo de ''assistente legislativo'', com remuneração inicial de R$ 1.943,34 - valor que chegar a R$ 2.976,76, depois de 15 anos de serviço. Para se ter uma idéia, um professor de universidade federal inicia a carreira recebendo R$ 884,02 por mês.
No Congresso, é claro, há outras vantagens como um bom plano de saúde, auxílio para manter os filhos em creche e os anuênios que aumentam em 1% o salário do servidor por cada ano de trabalho, entre outros benefícios. E se houver convocação extraordinária do Congresso, o salário pode ficar ainda melhor - são pagos extras que variam conforme a remuneração do servidor.
Seguranças, porteiros, auxiliares de serviços gerais e de apoio legislativo também recebem salários polpudos, se comparados aos pagos pelas empresas privadas e pelo Executivo federal. Esses cargos, denominados de ''técnico legislativo'' e que na tabela de vencimentos estão situados como nível intermediário especializado, têm remuneração inicial de R$ 2.263,02. No fim de carreira, o salário atinge os R$ 3.466,45. Valores bem acima dos cerca de R$ 500 que ganha um auxiliar de serviços gerais na iniciativa privada.
A situação salarial do Congresso é tão diferente da realidade da iniciativa privada que, aos poucos, as carreiras sem especialização estão sendo terceirizadas. A idéia é não promover mais concursos públicos para cargos que exijam nível básico de educação. O motivo é que os altos salários acabam atraindo para os disputados concursos públicos pessoas com grande especialização que, quando são aprovadas, não querem trabalhar como operador de xerox, porteiro ou auxiliar de serviços gerais.
Afinal, a remuneração paga lá para funções reservadas a quem tem apenas primeiro ou segundo grau é digna de recém-formados em universidades. Os salários pagos a operadores de xerox na Câmara chegam a ser superiores à remuneração média inicial de arquitetos, advogados, enfermeiros, engenheiros, geógrafos, matemáticos, médicos, dentistas, psicólogos e publicitários. Essas profissões, em início de carreira, ganham em média salários que vão de R$ 1 mil a R$ 1, 7 mil mensais.
Mas as discrepâncias salariais também acontecem dentro da própria Câmara. Os funcionários que não são de carreira - ou seja, não pertencem ao quadro efetivo da Casa - e trabalham nos gabinetes dos deputados têm salários bem mais baixos. Cada um dos 513 deputados tem direito a uma verba de gabinete de R$ 35 mil mensais para contratar funcionários com uma remuneração que varia de um salário mínimo até R$ 5 mil. A maioria dos parlamentares opta por contratar muitas pessoas ganhando baixos salários. O orçamento da Câmara previsto para este ano é de R$ 1,8 bilhão e a maior parte desses recursos é gasta com o pagamento dos salários dos deputados e dos servidores.

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