Os militares terão os salários reajustados em cerca de 18%. O aumento está previsto em projeto de lei encaminhado ao Congresso, na calada da noite de anteontem (17), pela Casa Civil do Palácio do Planalto, causando surpresa até mesmo entre os militares.
O reajuste será pago nos salários de fevereiro, a título de adiantamento, embora dependa de aprovação do Congresso. O projeto prevê ainda um novo reajuste nas gratificações dos militares em fevereiro de 1999.
O aumento dos militares foi concedido por meio da ampliação do valor da Gratificação de Condição Especial de Trabalho (GCET). Hoje, a gratificação não é concedida integralmente. Os militares recebem apenas 36% do valor integral. Com o projeto de lei, esse índice subiu para 77% e, em fevereiro de 1999, irá para 100%. O impacto do reajuste na folha de pagamento dos ministérios militares será da ordem de R$ 57,6 milhões ao mês.
Atualmente, no caso de um general-de-Exército, a gratificação é de 906,60 reais e o salário total em torno de R$ 4,5 mil. Com a ampliação da gratificação que entra hoje em vigor, ela subirá para R$ 1.492,00 e o salário total para cerca de R$ 5 mil. Em fevereiro de 1999, a gratificação atingirá R$ 1.938,04 e o salário R$ 5,4 mil. No caso de um coronel, a gratificação subirá de 660,60 reais para R$ 1,086,00 agora e, em 1999, para R$ 1.411,00. Com isso, o salário de um coronel passará dos atuais R$ 3,3 mil para R$ 3,7 mil e, depois, para R$ 4,1 mil.
A intenção de dar o aumento da gratificação foi anunciada pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, no fim de 1997, durante almoço de confraternização com os oficiais-generais. Ontem, o porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, disse que o reajuste está sendo dado com o mesmo espírito que o governo vem concedendo aumentos setoriais a várias categorias.
O assunto arrastou-se nos últimos dois meses, em demoradas discussões com a área econômica. Essa demora causou um problema adicional para o próprio governo e, principalmente, à área militar. Com a aprovação, pelo Congresso, da emenda constitucional que desvinculou os militares dos servidores civis, o aumento não pôde mais ser dado por meio de medida provisória (MP), como sempre aconteceu.

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