Arquivo FolhaAjustesJaime Lerner: governador descarta plano de demissão voluntáriaO governador Jaime Lerner não quis revelar ontem que política de cortes vai adotar para conter os gastos com despesas no Estado. Ele reafirmou as preocupações confidenciadas aos presidentes da Assembléia, Aníbal Khury, e do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz Cesar, durante uma reunião entre os Três Poderes na última segunda-feira no Palácio Iguaçu, e restringiu-se a defender ‘‘a necessidade de uma redução do custeio da máquina’’, que inclui folha de pagamento, aluguéis, combustível e demais insumos.
Lerner admite que há excesso de funcionários e de gastos com a folha de pagamento, que hoje, segundo ele, compromete 78% da receita do Estado. ‘‘É sempre maior o número de funcionários, mas como o meu governo é voltado para a área social, procuro sempre aproveitar esse excesso de outras formas’’, avalia. Lerner descarta qualquer possibilidade de adotar um plano de demissão em massa de servidores. ‘‘Não é por aí que a gente resolve o problema. Estou procurando formas para compensar o prejuízo que estamos sofrendo com o bloqueio dos pedidos de empréstimos externos no Senado’’, emendou.
Na verdade, o governador ficou preocupado com o mal-estar no governo causado pelo vazamento da reunião entre os Três Poderes e ontem tentava minimizar o impacto. Disse que a situação financeira do Paraná não é caótica. ‘‘Há um equilíbrio nas contas e o controle de gastos é sempre natural durante uma administração’’, aposta Lerner, que incluiu ontem, durante o seu discurso, dois dados que na sua opinião são positivos para o governo.
Um deles é o levantamento feito pelo Banco Central que coloca o Paraná e o Ceará como os estados do Brasil menos comprometidos com dívidas. O outro argumento apontado pelo governador registra um crescimento de 6% no PIB (Produto Interno Bruto) do Estado em 96. ‘‘Ficamos acima da média do Brasil, que foi de 4,2%, compara.
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, também saiu em defesa das finanças do governo Lerner ontem. Disse - através de uma nota do Palácio Iguaçu encaminhada pela Agência Estadual de Notícias - que ‘‘a situação financeira do Paraná não mudou e que a recomendação para conter gastos existe há dois anos e meio’’. De acordo com o secretário, a preocupação do governo está em evitar as chamadas AROs (Antecipação de receitas orçamentárias). ‘‘A linha é não gastar o que não arrecadou’’, reforça.
A nota do Palácio contradiz em alguns momentos a entrevista dada ontem pelo governador Jaime Lerner. Além de garantir que o governo tem dinheiro suficiente para pagar as despesas de custeio, diz que ainda sobram 6% ao mês para investimentos. Os gastos com a folha de pagamento, de acordo com a nota, afetam 60% da arrecadação do ICMS, e não 82% como disse Lerner na reunião entre os Três Poderes. E o Palácio afirma ainda que a folha compromete 74,6% da receita orçamentária líquida, e não 78% como declarou o governador.

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