Salários atrasam e servidores de Goioerê fazem greve
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Parte dos funcionários da Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) está em greve desde anteontem. Eles reivindicam o pagamento dos salários de julho e agosto. A decisão de greve foi tomada em assembléia realizada na sexta-feira. Já estamos indo para o terceiro mês sem receber, protesta o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Goioerê, Paulo Mendes. O funcionalismo não tem mais crédito na praça, diz.
Segundo o Sindicato, o primeiro dia de greve paralisou cerca de 130 dos 720 funcionários da prefeitura. Esse número deve dobrar ainda hoje (ontem) e a tendência é só aumentar no decorrer da semana, garante Mendes. Na prefeitura, no entanto, a informação é que o movimento não conseguiu a adesão de mais de 20% dos servidores. No prédio da administração não houve adesão e o trabalho é normal.
O funcionamento no setor de saúde também era considerado normal ontem. A maior adesão acontece no departamento de educação. Logo no primeiro dia, pelo menos em uma escola ocorreu adesão total. No mês passado, o Sindicato já tinha realizado uma passeata em protesto contra o atraso no pagamento e os professores tinham aprovado trabalhar apenas duas horas e meia por dia. Por contenção de despesas, a prefeitura está atendendo em meio expediente.
Simplista - A folha de pagamento não chega a R$ 300 mil e a arrecadação passa dos R$ 600 mil, ressalta Mendes. Onde é que está indo o dinheiro?, questiona. A prefeitura alega que os cálculos do Sindicato são simplistas porque não levam em consideração descontos que são feitos nos repasses, como INSS e Fundo de Garantia, e os encargos que são acrescentados à folha de pagamento. O prefeito Vicente Okamoto (PSDB) está em Curitiba em busca de recursos.
A prefeitura tem perspectivas de normalizar os salários até o final do mês, mas não faz nenhuma promessa. Tudo depende da liberação de dinheiro em Curitiba.


