Salários altos no Lactec causam mal-estar
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terça-feira, 25 de maio de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As notícias de que os salários da nova diretoria do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) seriam fixados em R$ 16,8 mil, conforme anúncio do próprio governo do Paraná, quase abriram uma nova crise entre o Palácio Iguaçu e as instituições que compõem o instituto. O governador Roberto Requião (PMDB) fez duras críticas contra os salários dos diretores e ameaçou cortar os investimentos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) no Lactec caso a entidade não fosse moralizada. ''Ou as coisas no Lactec se moralizam ou é melhor cortar o cordão umbilical com a Copel, cessando assim toda a contribuição de dinheiro público para a entidade'', reagiu o governador em nota distribuída anteontem pela Agência de Notícias do governo.
Recentemente, denúncias de gastos excessivos afastaram toda a diretoria do Lactec. O então superintendente, ex-ministro da Saúde Alceni Guerra, teria aumentado a folha de pagamento, ocasionando um déficit contábil de R$ 1,8 milhão no ano de 2003. ''A diretoria do Lactec foi recentemente renovada justamente para que acabassem sinecuras como essa. Não há sentido em colocar dinheiro público na entidade para privilegiar algumas poucas pessoas'', complementou Requião.
A assessoria de imprensa do Lactec disse ontem que a atual diretoria não vai se pronunciar sobre o caso. Apenas adiantou que houve um ''ruído de informação'', que será esclarecido diretamente com o Palácio Iguaçu. O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Augusto Moreira Júnior, presidente do Conselho do Lactec formado pela Associação Comercial do Paraná (ACP), UFPR, Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e Companhia Paranaense de Energia (Copel) , disse ontem em entrevista à Folha que os salários dos diretores serão reduzidos em 12%.
Segundo ele, a direção anterior presidida por Alceni recebia um salário-base de R$ 19 mil, além de ter todos os direitos trabalhistas reconhecidos (encargos, férias, 13º salário e 14º salário). A nova diretoria irá receber a título de pró-labore. Ou seja, um diretor que custava R$ 400 mil por ano ao Lactec passará a custar R$ 200 mil. ''Alguém quis dar uma alfineta no Lactec e passou a informação incorreta ao governador. Os salários eram altos e vão ser reduzidos. Não vamos fazer nada para aumentar a folha de pagamento. Se isso acontecesse, eu mesmo pediria demissão'', disse Moreira, um dos principais articuladores do afastamento de Alceni.
Requião também citou a criação de quatros novos cargos no Lactec. A informação também foi refutada ontem por Moreira. ''Os quatro cargos de diretoria já existem. Ninguém quer criar mais nada'', garantiu ele. Para tentar acalmar os ânimos, uma reunião foi marcada para a segunda-feira, ao meio-dia, no Palácio Iguaçu. Moreira pretende apresentar a Requião o planejamento estratégico do Lactec para reduzir os gastos em R$ 5,5 milhões em 2004, comparado ao ano anterior.
''As reduções foram feitas basicamente no corte da folha de pagamento e dos benefícios que a diretoria anterior tinha. Estamos demitindo pessoal, cortando salários, diminuindo as verbas de representação, os gastos com diárias e estamos transformando os empregos da diretoria em ganhos a título de pró-labore'', destacou o reitor.


