Salário terá aumentos reais, garante Lula
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sábado, 23 de dezembro de 2006
João Domingos e Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante café da manhã com jornalistas credenciados no Palácio do Planalto, que enquanto for presidente vai dar aumento real para o salário mínimo. Afirmou que é o mínimo o maior fator de distribuição de renda do País e que o Bolsa Família é apenas um complemento para as famílias muito pobres.
''Todo ano vai ter um pouquinho (de aumento real). Todo ano vai ter um pouquinho enquanto eu for presidente'', afirmou Lula. Ele disse que chegou à conclusão de que crescimento econômico não resulta, obrigatoriamente, no aumento do mínimo. ''Durante o governo de Juscelino Kubitschek, o PIB cresceu 8% e o salário mínimo não cresceu. Em 1973, durante o milagre econômico, o PIB cresceu 13,94% e o salário mínimo decresceu 3,4%.''
O presidente comentou o acordo com as centrais sindicais, que elevou o mínimo de R$ 350 para R$ 380 a partir de abril, embora a equipe econômica quisesse apenas R$ 367. ''O acordo com as centrais sindicais é coisa inédita na história do Brasil'', afirmou. Lula voltou a falar de um de seus assuntos prediletos, segundo os quais antes dele ninguém fazia certas coisas. ''Nunca desde que o Brasil foi descoberto as centrais sindicais foram tratadas como eu trato. É um gesto de reconhecimento às entidades brasileiras. Eu recebo tantos empresários, por que não recebo as centrais?'' Ele lembrou que veio do meio sindical.
Lula disse que vai continuar recebendo também no Palácio do Planalto as pessoas mais simples. ''Quando eu deixar a Presidência, quero deixar instituído outro padrão de relacionamento entre governo e a sociedade. Qualquer que for o próximo presidente vai ter de conversar com as pessoas.
Lula disse que vai criar um Fórum Nacional para tratar da reforma da Previdência, sem prazo para que os trabalhos sejam encerrados. Desse fórum deverão participar especialistas do Congresso, aposentados, representantes das centrais sindicais, empresários e governo.
Para o presidente, toda reforma da Previdência deve ser voltada para as próximas gerações. ''Não tem sentido você fazer uma reforma previdenciária para tapar um rombo de hoje. Não dá para mexer nas regras estabelecidas para quem já está trabalhando. Quem ainda não está no mercado de trabalho, sim, pode encontrar regras diferentes'', disse Lula.
Afirmou que não quer estabelecer data para que o fórum apresente suas conclusões, para que não se sinta pressionado por nada. O rombo da Previdência em 2006 deve ficar em torno de R$ 42 bilhões.
Embora tenha se recusado a responder quem escolherá para ministro no seu próximo mandato e quem manterá no posto, o presidente Lula disse que não tem motivos para mexer na equipe econômica. ''Vou mudar para quê? Chegamos a esse sucesso que chegamos por causa da equipe econômica. O governo está funcionando.''
Nem os que têm manifestado o desejo de sair, como o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, podem ficar tranquilos, disse Lula. ''Mesmo aqueles ministros que têm falado para vocês (jornalistas que participavam de um café da manhã com o presidente) que gostariam de sair, só vão sair quando eu quiser que eles saiam'', afirmou.
O presidente disse também que não vai mudar o número de ministérios e manterá os atuais 34, o que para os partidos de oposição é um exagero. Quanto às mudanças, Lula respondeu com uma provocação. ''Eu nunca disse que ia mudar ministério. Ninguém jamais ouviu isso de minha boca. Os ministros não precisam nem vir para a posse. Está todo mundo ministro. No dia 1º de janeiro, só vamos tomar posse eu e o José Alencar. Os ministros não precisam tomar posse.''
Lula falou ainda sobre a sucessão na presidência da Câmara, que está sendo disputada pelo atual presidente, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e pelo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Lula disse que não vai dar palpite, e que quando for a hora vai se reunir com os dois candidatos. ''Todo mundo sabe que gosto do Aldo e do Chinaglia.''


