Brasília - O governo estuda adiar para a próxima semana a votação da medida provisória (MP) que fixa em R$ 260 o salário mínimo. A razão é simples: faltam votos para que o governo ganhe a votação. Nem mesmo com a entrada do ministro da Casa Civil, José Dirceu, nas negociações do projeto, esse cenário mudou. Ontem o ministro não conseguiu virar nenhum voto a favor do governo nesse assunto. Em reunião no Palácio do Planalto, ficou definido que caberia ao chefe da Casa Civil a tarefa de mudar os votos contrários ou negociar a ausência de dois senadores de Tocantins - Eduardo Siqueira Campos (PSDB) e João Ribeiro (PFL) - e dos três senadores do PFL baiano: Antonio Carlos Magalhães, Rodolpho Tourinho e César Borges, que é relator da MP e propôs mínimo de R$ 275.
Dirceu não foi bem-sucedido na primeira missão. Depois de se reunir com o ministro, Siqueira Campos garantiu que votará contra a MP. Apesar do assédio do governo, ele afirmou que votará contra a MP e que não vai se ausentar da sessão em que a MP for votada. ''Se querem que eu não esteja presente na sessão, têm que pedir a Deus'', disse. ''Só morto não estarei presente.'' ACM também reafirmou ontem, no plenário do Senado, que manterá seu voto contra o mínimo do governo, o que deve se repetir com os outros dois senadores baianos.
A votação da MP na quinta-feira também dependeria de negociações do Palácio do Planalto com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que controla votos decisivos para garantir a vitória do governo. Ontem o Planalto delegou a Sarney a tarefa de convencer a sua filha, a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), e os senadores Edison Lobão (PFL-MA), João Alberto Souza (PMDB-MA) e Papaléo Paes (PMDB-AP), a votar com o governo.
O Planalto ainda não tem retorno de como Sarney está atuando com seu grupo político e encarregou o líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), de negociar o apoio e definir a data de votação da MP. Roseana Sarney não aparece há semanas no Senado, mas sua assessoria garantiu que ela estará hoje em Brasília.
Sem votos suficientes para aprovar a MP no Senado, o governo só pretende pôr o mínimo em votação quando estiver certo de que será vitorioso com, pelo menos, 42 votos favoráveis à MP, o que daria uma margem apertadíssima de apenas três votos. De acordo com os cálculos do governo, hoje, ele teria apenas entre 37 e 39 votos a favor dos R$ 260. ''Nossa agonia não é votar. Nossa agonia é ganhar a votação. Por isso é possível que a votação seja adiada'', resumiu o vice-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Para driblar as resistências no Senado, o Palácio do Planalto montou uma operação de guerra, que começou ontem com um périplo de ministros pelo Senado, para conquistar os votos dos senadores que ameaçam votar contra os R$ 260. Estiveram ontem no Senado os ministros da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e da Previdência, Amir Lando.
A proposta de adiar a votação do mínimo para a próxima semana divide o governo. ''Se for possível, nós votamos a MP do mínimo esta semana, caso contrário a votação fica para a semana que vem'', disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), depois de se encontrar, separadamente, com os ministros José Dirceu e Aldo Rebelo, no Planalto. ''O quórum também se faz com as ausências necessárias'', ponderou o ministro.

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