Salário de vereadores revolta padres
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Carmem Murara 
As três paróquias do município de Araucária, região metropolitana de Curitiba, estão dispostas a acabar com o sonho dos vereadores de entrar em 97 com os salários mais gordos. Os padres Aldo Seidel e Leocádio Zytkowski começaram a colher assinaturas dos eleitores do município para entrar com uma ação cível contra o reajuste autoconcedido, de 7%. Eles precisam de 5 mil assinaturas (10% do total de eleitores). Em uma semana, conseguiram mais de 4 mil adesões.
Os padres decidiram lutar contra o aumento dos salários por considerá-lo imoral. Hoje, cada um dos 15 vereadores de Araucária recebe R$ 4,2 mil por mês. O salário passaria para R$ 4,5 mil, a partir de janeiro de 97. Com o aumento da remuneração, a Câmara Municipal de Araucária gastaria R$ 4,5 mil a mais todos os meses.
Os padres do município propõem que o salário de um vereador seja reduzido para apenas R$ 1 mil. É o suficiente para quem faz poucas sessões por semana, alega o padre Aldo Seidel, da paróquia Nossa Senhora dos Remédios. Os vereadores têm apenas três sessões semanais, sendo que duas são para as comissões parlamentares. O abaixo-assinado pede que a eventual economia seja remanejada para atender os desempregados da saúde e para a Pastoral da Criança.
A campanha deflagrada pelos padres de Araucária conta até com o apoio do prefeito eleito, Rizio Wachowicz (PPB). Ele foi um dos que subscreveu o abaixo assinado. Wachowicz já prometeu reduzir o seu futuro salário, fixado atualmente em R$ 13,6 mil.
Os vereadores protestam contra a campanha. Parte interessada no desfecho do caso, o presidente da Câmara Municipal, Irineu Cantador (PFL), acusa os padres de iniciarem um movimento absurdo. Estamos sendo marginalizados por uns padres incompetentes, reage Cantador.
O vereador diz que a Câmara não legislou em causa própria ao aprovar o projeto. Agimos conforme a lei. Votamos o projeto dentro do prazo previsto. Pela lei, os salários de um parlamentar só podem ser alterados na legislatura anterior, no prazo máximo de um mês antes das eleições.
Cantador afirma ainda que não vê nada demais no reajuste. Esse movimento não vai dar em nada, porque temos respaldo na lei, diz o presidente da Câmara. O vereador afirma que o salário que recebe é justo. Ele chega a reclamar dos salários atuais. Temos tantos descontos que nosso salário fica reduzido de R$ 4,5 mil para R$ 3,5 mil. Segundo ele, a Câmara não oferece qualquer tipo de verba de representação, como acontece com os deputados estaduais.


