O impasse entre o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) e a Prefeitura Municipal em torno de reposição salarial e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) deve se arrastar pelo menos até o fim deste mês. A afirmação foi feita ontem à tarde pelo secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, na véspera da reunião que acontece hoje entre as partes, às 14h30, no prédio do Executivo.
O encontro aconteceria na sexta-feira passada, mas foi adiado a pedido de Dias para que a Prefeitura analisasse cada item da pauta de reivindicações. Nela, figuram desde a reposição salarial de 21%, relativa aos primeiros quatro anos de mandato do prefeito Nedson Micheleti (PT), à implantação da segunda etapa do PCCS, suspensa desde janeiro. Na semana passada, o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, disse que o reivindicado pela categoria era ''um sonho, impagável'', por gerar um impacto de R$ 10 milhões na folha de pagamento. Ontem, o secretário de Gestão Pública bateu na mesma tecla mas aumentou os valores do rombo.
''Quanto à reposição, qualquer reajuste agora pode comprometer a folha de pagamento'', descartou, para completar: ''Essa segunda etapa do PCCS prevê três tipos de promoção (por conhecimento, mérito e competências e habilidades), o que nos custaria R$ 15 milhões a mais''. Questionado sobre a previsão orçamentária para o pagamento dos servidores argumento sistematicamente utilizado pelo presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja , Dias foi taxativo: ''A arrecadação do município é flutuante, não temos condições de fazer o que eles querem''. Ele criticou o que chama de ''ambiguidade'' dos sindicalistas: ''Houve participação dos servidores no debate sobre o PCCS, eles também têm responsabilidade. Não deixa de ser ambígua a posição do sindicato''.
Urbaneja insistiu na previsibilidade do orçamento e negou qualquer ''desvio de conduta'' por conta dos sindicalistas. ''A previsão do orçamento mostra uma margem da qual não fugimos ao reclamar esses 21%'', apontou. ''Estão querendo tumultuar a negociação. Não somos ambíguos porque o PCCS atual foi totalmente alterado, bem como as comissões que os discutiam'', rebateu. De acordo com ele, até a semana passada mais 150 servidores ingressaram com ações coletivas na Justiça pela promoção imediata. No último dia 2, um grupo de 20 deles obteve uma liminar idêntica, da qual a Procuradoria da Prefeitura recorreria ontem.

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