Salário de R$ 24 mil trará distorções, diz Dulci
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Vera Rosa<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, disse ontem que a tentativa da Câmara e do Senado de aumentar a remuneração dos parlamentares para R$ 24.600 mensais provoca ''distorção'' porque todos os poderes têm de buscar reajustes ''compatíveis'' com as possibilidades do País. Dulci afirmou, porém, que a questão deve ser tratada ''institucionalmente'' porque o governo não pode impor condutas ao Legislativo.
''Na minha opinião estritamente pessoal, qualquer tipo de reajuste superior aos parâmetros que estão sendo aventados para o conjunto dos trabalhadores brasileiros acaba gerando algum tipo de distorção'', argumentou Dulci. ''Isso vale tanto para o Legislativo como para o Executivo e o Judiciário.''
Dulci insistiu em que o governo não tem a intenção de interferir no assunto. ''Nenhum poder pode impor ao outro conduta A ou B'', observou. Questionado por que Lula não se manifestava contra o aumento dos parlamentares - uma vez que ele próprio reclamou do efeito cascata provocado pelo reajuste no Judiciário -, o ministro foi cauteloso. ''Se o presidente Lula tiver ponderações a fazer, como fez ao Judiciário, vai fazê-las de maneira institucional, e não na base do palpite'', disse.
O ministro não teceu comentários sobre a derrota sofrida pelo governo, na Comissão Mista de Orçamento, quando os parlamentares fixaram o valor do salário mínimo em R$ 375, a partir de abril do ano que vem. De qualquer forma, a questão ainda não está fechada.
A equipe econômica defende reajuste bem menor: dos atuais R$ 350 para R$ 367. ''Eu considero que já é um reajuste bastante significativo'', afirmou Dulci. ''Mas isso não significa que, no processo de negociação, se houver condições, não se agregue alguma coisa.''


