Salário de grevistas é descontado
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sexta-feira, 30 de junho de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A Prefeitura de Maringá descontou 16 de dias de salário de 1.713 servidores que participam da paralisação iniciada no último dia 5. Os servidores de Maringá entraram em greve no último dia 5 para reivindicar reajuste salarial de 16,67%. Os servidores que não participam do movimento tiveram os salários depositados integralmente ontem à noite. Os valores retidos dos grevistas somam R$ 620 mil.
''A decisão não foi tomada por opção, mas por obrigação. Como administradores públicos, não podemos fazer o pagamento de salário se eles não trabalharam'', afirmou o procurador jurídico da Prefeitura, Laércio Fondazzi. ''Nos mês que vem a situação deve piorar porque o desconto vai alcançar 100% do salário.'' A prefeitura anunciou ainda o corte das horas extras de servidores ligados ao movimento grevista. ''Eles não vão ter esse dinheiro também'', acrescentou Fondazzi.
Segundo o procurador, a administração não pretende negociar com os grevistas neste ''clima de guerra''. ''Está tudo parado, não vamos conversar enquanto eles não pararem com a baderna''.
A presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar), Ana Pagamunici, afirmou que a entidade está recorrendo à Justiça para reverter o bloqueio dos salários. ''Enquanto isso não acontece, os servidores vão receber ajuda do comando de greve. Temos um fundo composto por doações de diversas entidades e vamos começar a distribuição de alimentos ainda hoje (ontem).''
O comando de greve comemorou a decisão do juiz da 1 Vara Criminal, Cláudio Camargo dos Santos, que negou pedido de prisão temporária de Ana Pagamunici e mais 11 pessoas sob acusação de ''formação de quadrilha''. O grupo participou da invasão do prédio da prefeitura pelos grevistas na quarta-feira e foi denunciado pelo delegado-chefe da Polícia Civil em Maringá, Antônio Brandão Neto.
Em entrevista à Folha, Brandão disse que o patrimônio público ''foi danificado'' e que a detenção dos suspeitos era ''imprescindível para as investigações''. Em seu despacho, o juiz negou a tese de formação de quadrilha e disse que ''nem de longe se vislumbra que a segregação temporária seja imprescindível'' para as investigações. Ontem, após a divulgação da sentença, Brandão recuou e disse que as diligências vão prosseguir ''normalmente''.


