O juiz da 6ª Vara Cível, Celso Seikiti Saito, não quis ontem fazer qualquer previsão sobre quanto tempo demorará para decidir se acata ou não o pedido de afastamento do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL). A medida cautelar pedindo o afastamento do prefeito foi impetrada anteontem pelo Ministério Público e está baseada em 30 licitações da modalidade carta-convite, realizadas na Comurb, totalizando R$ 3,3 milhões. Todas as concorrências teriam sido fraudadas.
Além do afastamento do prefeito, a medida inclui a quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário de toda família Belinati – incluindo a vice-governadora Emília Belinati (PTB) e o deputado estadual Antonio Carlos (PSB) – e de outras 52 pessoas envolvidas no escândalo AMA-Comurb.
Celso Saito comentou que a documentação é muito extensa – a petição tem 300 páginas, além de 10 mil documentos anexos – e que ‘‘tecnicamente’’ seria impossível concluir o despacho em apenas 48 horas, como queriam as entidades que compõem o Movimento pela Moralização da Administração Pública. ‘‘Até porque não me afastei dos outros afazeres. Mas é claro que vou procurar ser o mais rápido possível’’, acrescentou.
O juiz esclareceu também que, embora a medida cautelar tenha sido ajuizada anteontem, somente hoje estará recebendo oficialmente a ação. Por isso, o prazo oficial de cinco dias começa a contar hoje e vence segunda-feira. Mas o próprio juiz, se necessário, pode ganhar mais tempo justificando o aumento de prazo.
Essa não é a primeira vez que o juiz Saito tem que decidir pela permanência de um prefeito no cargo. Há alguns anos, em Assaí, esteve diante de uma mesma situação e manteve o prefeito no cargo. ‘‘Era véspera de fim de mandato’’, justificou. ‘‘Mas desta vez não é o caso.’’ (L.H.)

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