Saída de Palocci não dará paz ao governo
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segunda-feira, 27 de março de 2006
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Aliados e adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso concordam em pelo menos um ponto: a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pode até pôr um ponto final no caso da violação do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, mais conhecido como ''Nildo'', mas não dará paz ao governo.''O que debela crise não é uma demissão, mas a ausência de fatos que comprometam o governo'', avaliou ontem o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Algo distante de acontecer, na avaliação do líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ): ''Há fatos graves neste governo todos os dias, e o papel da oposição é continuar cobrando respostas.''
Pouco depois da queda de Palocci, por exemplo, o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) deu mostras que reforçará a artilharia contra o presidente Lula: ''Não é possível que o presidente continue dizendo que não sabe de nada. A crise é gravíssima'', avaliou.
Aliados do governo também estão convencidos de que a pressão deverá continuar, apesar da saída de Palocci. ''O presidente Lula não terá sossego porque o papel da oposição é criar embaraços para o governo'', resumiu, pragmático, o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB). Mesmo na condição de aliado de Lula, Suassuna não tem dúvida de que, se caiu um alvo, a oposição vai procurar outro e escolher o próximo rapidamente. Suassuna não acredita que Lula possa a vir o próximo alvo. ''Não será o presidente porque se cria uma crise institucional e isto a oposição não quer.''
Maia observa ainda que, mesmo com a saída de Palocci, a imagem do governo Lula, dificilmente, se livrará da marca de violação do sigilo bancário. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que ''o fato é que a sociedade brasileira o demitiu, ao mostrar que não dá para vivermos numa república de bodes expiatórios''. ''Foi uma lição democrática que nosso povo maduro ofereceu ao desastrado governo do presidente Lula, foi a vitória do Davi contra os Golias do governo, porque, numa sociedade democrática como a nossa, o ministro foi demitido pelo humilde caseiro que ele e seus auxiliares tentaram intimidar'', disse.


