Leandro Donatti
De Curitiba
A desistência do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), de concorrer à reeleição em outubro, informada ontem com exclusividade pela Folha, caiu como uma bomba nos meios políticos do Paraná. PSDB, PMDB, PPB, PDT, PTB, PT e o próprio PFL foram pegos de surpresa com o anúncio e já começaram a traçar novas estratégias para as eleições municipais. Os representantes dos partidos não têm dúvidas de que, se for para valer, a decisão de Belinati terá reflexos inclusive na sucessão do governador Jaime Lerner (PFL) em 2002.
O PSDB reúne hoje seu diretório em Londrina para discutir as regras da escolha de quem será o candidato. A saída de Antonio Belinati do quadro sucessório animou os quatro pré-candidatos: Luiz Carlos Hauly, Alex Canziani, Jackson Proença Testa e Tercílio Turini. Agora, o partido passa a ter mais chances de vencer a disputa. ‘‘Fiz 90 mil votos em 1996. Só perdi porque o Lerner montou na cidade toda uma estrutura para ajudar o Belinati a vencer’’, disse Hauly, ainda ressentido com a derrota da eleição passada para Antonio Belinati.
O deputado federal disse que o PSDB deve se pautar numa rediscussão do projeto político tucano. ‘‘O nosso projeto é maior, envolve o governo do Estado e as duas vagas para o Senado em 2002.’’ Hauly disse que Londrina – o segundo maior colégio eleitoral do Estado, perdendo apenas para Curitiba – é um município estratégico. O deputado não escondeu que a sua intenção antes da desistência de Belinati era mesmo de concorrer a uma das vagas do Senado. ‘‘Mas agora, temos de rediscutir tudo’’, ponderou.
Ex-vice de Belinati – e ex-secretário do Trabalho de Lerner – Alex Canziani disse ontem que não está arrependido de ter deixado o PFL, no final do ano passado. Sem Belinati no páreo, o hoje deputado federal seria o herdeiro direto do espólio do prefeito e o nome local mais forte no partido de Lerner. ‘‘Hoje faço parte do maior partido do País, o PSDB. Não estou arrependido de absolutamente nada’’, afirmou Alex Canziani, que busca espaço para a indicação de seu nome, mesmo sabendo que Hauly é o candidato preferencial do comando estadual.
A desistência de Belinati trouxe euforia também para o PMDB do senador Roberto Requião, que aposta numa polarização da disputa com os tucanos ou até numa coligação. O ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida já está falando como candidato. O ex-petista disse ontem que o escândalo da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) ‘‘envergonha’’ a cidade. Os dois braços da administração de Belinati estão sendo investigados pelo desvio de recursos públicos. ‘‘O Belinati é reincidente. Nas outras duas gestões também se detectou irregularidades administrativas, porém naquela época ele não dispunha de dinheiro em caixa como foi nesta gestão’’, declarou.
Para Cheida, o quadro político só vai clarear num prazo médio de 90 dias. ‘‘Só depois disse que é que teremos uma análise mais aprofundada e correta’’, classificou. ‘‘Inicialmente, será um tumulto geral em todo o quadro sucessório. O normal é que todos, a partir de agora, assanhem-se ainda mais para lançarem candidatos’’, disse. Na avaliação de Cheida, a decisão de Belinati reforça uma tese que não é comum entre os partidos políticos, de que a eleição em Londrina será decidida no primeiro turno.
O PPB anunciou ontem que não vai buscar coligação com o PFL, agora sem Belinati como candidato. ‘‘Isso já era uma decisão tomada antes mesmo de o prefeito se manifestar. Seria uma incoerência o PPB buscar aliança com o PFL, que tem Lerner como governador. Só seria possível se excluíssemos o governador, mas daí ficaria muito difícil’’, afirmou o presidente estadual do partido, deputado federal José Janene. O dirigente disse que não é de agora que tem sérias divergências com o governador.
O deputado José Janene avisou que as articulações do PPB em Londrina serão mais amplas. ‘‘Da sucessão em Londrina e em Curitiba depende a eleição de 2002. Vamos amarrar uma aliança com comprometimentos futuros.’’ Janene disse que o PPB busca candidatura própria – seu nome é o que desponta – mas não descartou aliança com o PMDB. ‘‘Com o PSDB fica mais difícil, porque já tem candidato’’, disse, referindo-se a Hauly. ‘‘A desistência de Belinati deixa o quadro aberto. Todo mundo vai tentar entrar nesse vácuo’’, assinalou.Decisão do prefeito de Londrina de não concorrer à reeleição impõe novas estratégias aos partidos e altera panorama estadual
Arquivo FolhaMUDANÇA 1Farage: ‘‘Temos de esgotar todas as situações para nova estratégia’’Arquivo FolhaMUDANÇA 2Hauly: ‘‘Agora vamos ter que rediscutir tudo’’ com relação a outubro

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