Saída de Albuquerque antecipa reforma
Arquivo FolhafDe voltaJosé Serra: saída de Albuquerque do Ministério da Saúde abre espaço para o amigo de FHCA demissão do ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, antecipou e ampliou a dimensão da reforma ministerial que o calendário das eleições reservou para o presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente tem apenas esta semana para trocar os ministros candidatos às eleições de outubro, que têm de deixar os cargos até 4 de abril para cumprir a lei eleitoral. Com a saída de Albuquerque, abre-se uma vaga para a volta do senador José Serra (PSDB-SP) ao ministério. As negociações com o PFL e o PPB estão praticamente concluídas, mas o presidente está empacado com o PMDB. O partido tem dois ministros e um secretário que nem sabem se saem ou ficam.
O PMDB está travando a montagem desse quebra-cabeça, reclama um governador tucano. O presidente ganhou o apoio à reeleição, na convenção nacional, mas sabe que a chantagem do PMDB vai se arrastar até junho, quando os partidos são obrigados, por lei, a fazer nova convenção para lançar candidatos ou oficializar as coligações. Sem chances de se ver livre da disputa interna do PMDB, o ideal para o presidente é evitar a troca de ministros na Secretaria de Políticas Regionais e nos ministérios da Justiça e dos Transportes, todos comandados por peemedebistas.
Uma substituição na secretaria dirigida por Fernando Catão, cunhado e apadrinhado do senador Ronaldo Cunha Lima (PB), pode custar ao presidente dois litígios na Paraíba, onde o senador disputa espaço com o governador José Maranhão (PMDB). Isso sem contar os descontentes que fatalmente vão surgir nas outras bancadas que se insinuam para o lugar de Catão, como Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte.
Fernando Henrique deu dois sinais de que não deseja mexer no time do PMDB. Diante da carta de demissão do secretário, recusou-se a ler o documento e pediu ao auxiliar que aguardasse em seu posto uma nova conversa. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), recebeu um convite para permanecer no cargo e esquecer um novo mandato de deputado com a garantia de um gabinete na Esplanada dos Ministérios em 1999. Mas o presidente teve o cuidado de esclarecer que a proposta é para continuar na equipe, não necessariamente nos Transportes.
Fernando Henrique não quer que os aliados aproveitem a reforma para marcar território no governo, conta um colaborador do Planalto. Ele não vai permitir que os partidos consolidem feudos no ministério, avisa um líder governista. Foi assim no primeiro mandato, quando o PFL foi desalojado das áreas que tradicionalmente dominava, como a Educação e as Comunicações, entregue aos tucanos mais próximos do presidente, Paulo Renato Souza e Sérgio Motta, respectivamente.
Conhecedor das dificuldades e dos critérios palacianos para a reforma do ministério, o presidente do PFL, embaixador Jorge Bornhausen, entregou a lista de sugestões ao presidente no início da semana. Na quarta-feira, viajou para Portugal, de onde só voltará em no dia 29, certo de que a nova equipe não será fechada até lá. A cúpula pefelista fez questão de indicar filiados do partido para o ministério, mas com a ressalva de que são perfis técnicos.
O PFL não quer que nenhum partido reforce seus palanques com ministros políticos, agora, porque já tem um cartório no governo Fernando Henrique, diz um dirigente do PMDB simpático à tese do ministério de senadores que têm mais quatro anos de mandato e não disputam as eleições. Na avaliação deste peemedebista, a defesa do ministério técnico serve para zerar a proporção dos partidos aliados na composição da equipe, uma vez que todos apostam numa alteração da estrutura do ministério. A nós interessa marcar a presença do partido já, diz o dirigente do PMDB.
Para esse dirigente, a demissão do ministro da Saúde, Carlos Albuquerque (PSDB), na sexta-feira, abrindo a vaga para o senador tucano José Serra (SP), pode se transformar até num problema a mais para Fernando Henrique. A opção por um político com mandato não interessa ao Planalto pelo risco de criar os feudos que o presidente se empenha em evitar. Fernando Henrique quer ter pessoas que ele possa movimentar sem criar atritos na base de sustentação, o que não é o caso de um senador da República.





