Saída da Telepar complica planos políticos de Álvaro
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaContagem regressivaÁlvaro Dias: Começamos agora um período de colheitas, que terá de ser abortadoO presidente da Telepar, Álvaro Dias (PSDB), está em contagem regressiva para deixar o cargo. Ele soube ontem que terá que abandonar a função até dezembro devido à criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), empresa criada pelo Ministério das Comunicações para comandar o processo de privatização das 27 Teles em todo o País. Uma das regras estipulada pelo Ministério é a extinção de todos os cargos de diretoria das subsidiárias, formando três grandes centros de telecomucações.
Álvaro Dias disse que ficou sabendo ontem dos detalhes do projeto e já prepara as malas para sair da Telepar. Acredito que até dezembro todos nós teremos de deixar o cargo, pois no lugar das presidências serão criadas superintedências-executivas, afirmou. Ele admite que perder o cargo no final do ano prejudicará seus planos políticos e eleitorais.
Começamos agora um período de colheita, com uma série de inaugurações em todo o Estado, lamentou o ex-governador. Ele disse que terá de abortar o projeto. Em conversa com Sérgio Motta, Álvaro Dias disse que o ministro chegou até a dizer que ele poderia ficar como superintendente regional da Tele Centro Sul, que será formada pelas subsidiárias da região Sul e Centro Oeste. Mas Álvaro garante ter recusado a oferta.
Ele disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso quer que todo integrante do primeiro e segundo escalões interessado em disputar a eleição do ano que vem deixe os cargos públicos até dezembro desse ano. O Sérgio Motta disse que eu poderia ficar até o prazo final, mas acho que seria complicado para o processo de privatização, admitiu o ex-governador.
A nova estrutura administrativa anunciada pelo Ministério das Comunicações prevê que as três empresas de telecomunicações, que vão englobar as atuais Teles, fiquem com uma estrutura enxuta de três diretores e um superintendente. Somente a Telepar tem seis cargos de diretoria. Os atuais diretores devem ser reaproveitados na estrutura funcional da empresa, pois são funcionários de carreira. Apenas um deles não é.


