Said Ferreira deixou rombo de R$ 15 mi
O Tribunal de Contas do Estado (TC) detectou desvios de R$ 15 milhões na gestão de Said Ferreira como prefeito de Maringá, entre 1993 e 1996. Esse é o valor já apurado, mas o rombo pode chegar a R$ 20 milhões - informou o procurador do Ministério Público junto ao TC, Laerzio Chierosin Júnior, encarregado de todas as etapas das investigações nas contas de Maringá. Apesar de os trabalhos terem sido encerrados há cerca de duas semanas, o número ainda não está fechado, segundo o procurador, porque sua equipe aguarda documentos bancários.
A previsão dos auditores é que o trabalho seja concluído daqui a uma semana. Serão necessários mais 15 dias para o cruzamento de informações com órgãos estaduais que assinaram convênios e repassaram ou receberam recursos do município. Parte dos documentos da gestão de Said Ferreira não existem mais e os auditores precisam recorrer a microfilmes. Isso tem atrasado o trabalho da equipe.
A primeira fase da auditoria (gestão do ex-prefeito Jairo Gianoto) apontou desvios de R$ 54,3 milhões, de 1997 a julho de 2000. A irregularidade representou 11,48% de toda a receita orçamentária do município. Chierosin espera concluir as investigações na gestão do ex-prefeito Ricardo Barros (1989-92) iniciadas há quinze dias até meados de abril. O Tribunal vai investigar as contas de Maringá a partir de 1986.
O TC decidiu ontem ampliar a auditoria nas contas do município, e vai investigar também o período em que o ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi não ocupava mais o cargo. Nos próximos dias, dois técnicos coordenados por Chierosin começam a analisar documentos relativos ao período compreendido entre agosto e dezembro do ano passado.
O procurador explicou que a decisão foi tomada apenas agora porque o balanço das contas da prefeitura foi fechado nesta semana. Os técnicos encarregados de esquadrinhar as contas relativas ao segundo semestre de 2000 são Paulo Roberto Marques Fernandes e Daniel Cândido da Silva, conforme portaria baixada pelo presidente do TC, Rafael Iatauro. Depois que o Paolicchi saiu ninguém mais fechou balanço. O último que conseguimos obter na época foi o de julho, lembrou o procurador.
A principal descoberta da auditoria na gestão de Jairo Gianoto foi a divergência entre o controle contábil e os extratos bancários. O saldo de disponibilidade financeira, na representação contábil, era sempre maior que o extrato bancário. A operação seguia diversos métodos. Com a emissão de cheques à própria prefeitura, o saque dos cheques era feito com o endosso do secretário da Fazenda, em conjunto com o diretor de Contabilidade ou o chefe da Divisão de Finanças, transformando os cheques ao portador. Os valores eram supostamente depositados nas contas dos fornecedores reais ou fictícios, para o pagamento de bens e serviços injustificados.





