Curitiba - Pivô de um episódio que deve entrar para a história da política paranaense - a prisão preventiva do ex-governador Beto Richa (PSDB) e de outras 14 pessoas -, o empresário Antônio Celso Garcia, mais conhecido como Tony Garcia, já foi deputado estadual, candidato a prefeito de Curitiba e postulante ao Senado (por três oportunidades). Ele chegou a ser preso em 2004 pela PF (Polícia Federal), acusado de gestão fraudulenta do Consórcio Garibaldi - negava ser o verdadeiro dono da empresa. Apesar de afastado dos holofotes, nunca saiu de cena de fato.

São as conversas gravadas por Tony que embasam toda a denúncia de fraude na licitação do Programa Patrulha do Campo, foco da Operação Radiopatrulha, desencadeada na última terça-feira (11) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do MP (Ministério Público) Estadual. O agora delator e o ex-governador se conhecem há muitos anos e se diziam amigos. Um desentendimento entre as partes, contudo, parece ter colocado tudo a perder.

Em sua conta no Facebook, o empresário disse recentemente que mantém desavenças irreparáveis e irreconciliáveis com Richa - não no campo político, e sim "pessoais e morais". "Não entrarei aqui em detalhes, mas deixo claro: amizade para mim é como cristal, uma vez quebrada, não juntam-se mais os cacos", escreveu, em 5 de agosto. De lá para cá, ele seguiu publicando comentários sobre os cenários político e eleitoral e o andamento de operações como a Lava Jato, sempre com alfinetadas ao tucano e seus aliados.

No post mais recente, intitulado "TIC TAC", o colaborador do MP comenta a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra pessoas próximas a Richa, caso do ex-chefe de gabinete Deonilson Roldo. "Chama atenção o despacho do juiz, que nas entrelinhas deixa claro o envolvimento de boa parte da cúpula do governo, incluindo o próprio Beto. Como todos sabem, Sergio Moro não é afeito a jogar palavras ao vento; quando diz que as investigações continuarão, enseja que nada será varrido para debaixo do tapete. Não deixará pedra sobre pedra!"

Tony prossegue: "não existe pior momento para esta denúncia vir à tona, pois como se sabe, em período eleitoral ecoará aos quatro cantos do estado, acuará ainda mais o Beto, e poderá fazer um estrago enorme em sua já combalida imagem. O cronômetro disparou. Tic tac, tic tac!!! Aguardar pra ver". Já em 3 de setembro ele fala sobre a corrida ao Senado, destacando sua preferência por Flávio Arns (Rede), até então terceiro colocado nas pesquisas, atrás de Roberto Requião (PMDB) e justamente de Beto Richa.

PASSADO
Tony Garcia concorreu três vezes ao Senado. A primeira foi em 2002, pelo PPB. Terminou em sexto lugar, atrás de Osmar Dias (PDT), Flavio Arns (PT, hoje Rede), Paulo Pimentel (PMDB), Edésio Passos (PT) e Luciano Pizzato (PFL). Na segunda, em 1994, ficou em terceiro. Perdeu para Roberto Requião (MDB) e Osmar Dias (ex-PP; agora PDT). Por fim, em 1990, disputando pelo PRN do ex-presidente Fernando Collor, travou embate contra o ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB), vencedor da única vaga em disputa.

O empresário foi igualmente derrotado para a Prefeitura de Curitiba em 1992, quando o hoje prefeito Rafael Greca, na época no PDT, ganhou ainda no primeiro turno. O único mandato exercido por Tony foi o de deputado estadual, nos anos 2000. Pouco tempo depois, acabou preso no processo que tinha Sergio Moro como juiz. Foi condenado a seis anos de prestação de serviços comunitários em 2008. Já tinha - ao menos em tese - deixado a política.