O governador Jaime Lerner assina hoje acordo com o Banco Central, que prevê a privatização do Banestado num prazo de um ano e socorro financeiro de até R$ 3,7 bilhões, do governo federal, para recuperar o banco. Lerner embarca às 8h30 para Brasília. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, está desde ontem acertando os detalhes do acordo, que, para valer, terá de passar pelo crivo do Senado nos próximos dias.
O governo tem pressa na assinatura do contrato. Hoje é o último dia para o Paraná fechar a proposta de privatização do Banestado com o governo federal. De acordo com os cálculos oficiais, o déficit do Banestado é de R$ 4,1 bilhões. O número foi apresentado pelo secretário na semana passada, quando a Assembléia discutiu o acordo e a base governista de Lerner avalizou a proposta em plenário.
A expectativa do governo Lerner é de que, com a formalização do acordo com o BC, a União comece a liberar as primeiras parcelas de dinheiro para a recuperação do banco. ‘‘No Senado, acredito que não teremos muitos problemas. Os senadores estão aprovando acordos semelhantes em favor de outros estados. O que pode pode haver é resistência isolada dos senadores do contra’’, assinalou Gionédis, numa referência aos senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB).
Uma das cláusulas do acordo garante o destino dos recursos a serem repassados. Conforme o texto aprovado pelos deputados, o montante (R$ 3,7 bilhões) será utilizado para pagamento de débitos do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE); recomposição patrimonial; aquisição de ativos; capitalização do banco; ajuste de passivo junto a Fundação Banestado de Seguridade Social (Funbep); e para dar suporte financeiro para incentivar o Programa de Desligamento Voluntário.
Outro item do acerto diz respeito às ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel). O governo tem carta branca para oferecer ações num valor de até R$ 450 milhões em caução ou em garantia. Também para contratar financiamentos de até R$ 100 milhões para a capitalização da Agência de Desenvolvimento do Paraná S.A., destinada ao fomento. ‘‘Não há motivos para agitação, o Banestado recuperado continuará sendo o principal banco dos paranaenses’’, voltou a tranquilizar o secretário.
A oposição ao governo Lerner aguarda a assinatura do acordo para colocar uma estratégia em prática. Os defensores da manutenção do Banestado sob responsabilidade do Estado querem forçar uma auditoria junto ao BC para conferir os valores apresentados pelo secretário da Fazenda. O deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT), aposta numa ação efetiva do senador Osmar Dias na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), quando o acordo passar pelo Senado. Na semana passada, o senador disse que vai apresentar requerimento questionando os valores.

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