Safra, eleição e AL pressionam negociação
Curitiba - O aperto do TCU sobre os contratos de pedágio no Paraná é parte da negociação, que também tem sido pressionada pelo escoamento da safra recorde (38,2 milhões de toneladas de grãos, 373 mil toneladas de feijão e 2,6 milhões de toneladas de milho, por exemplo, cujo transporte é feito na maior parte por caminhões), pela proximidade das eleições (Beto Richa, do PSDB, concorre à reeleição em 2014) e pelos deputados estaduais.
Proposta em outubro de 2012, a CPI do Pedágio só foi instalada na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná após o deputado Nelson Luersen (PDT) detectar uma falha na manobra da liderança do governo para arquivar a comissão. Licenciado da AL para compor a gestão tucana, Cheida (PMDB) não poderia ter retirado seu apoio à CPI do Pedágio. O presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), demorou mas admitiu o erro técnico e permitiu, em julho deste ano, que a CPI começasse. Com Cheida, o número mínimo de apoios para a criação da CPI foi obtido.
Seis dos nove membros da CPI do Pedágio eram contra a investigação, mas foram indicados por seus partidos para compor a comissão. Presidida por Luersen, e com Douglas Fabrício (PPS) na relatoria, já na segunda reunião a CPI ameaçou convocar o ex-governador Jaime Lerner para depor e quebrar o sigilo fiscal e bancário das concessionárias. A Junta Comercial enviou a lista de sócios das empresas e declarações de Kielse (PMDB) fizeram o diretor regional da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), João Chiminazzo Neto, vir a público para desmentir o deputado estadual.
Nesse dia 13 de agosto, Chiminazzo afirmou que para baixar a tarifa do pedágio no Paraná é preciso prorrogar os contratos ou retirar obras da lista de obrigações das concessionárias. No dia seguinte, Beto disse que foi "pego de surpresa" pela afirmação de Chiminazzo e apontou os argumentos do acórdão 346/2012 do Tribunal de Contas da União como alternativas para baixar a tarifa de pedágio. Na mesma semana, uma rodada de negociação entre governo e concessionárias não avançou e outra reunião foi agendada para este mês. (J.L.J.)





