Sabóia é o novo presidente do Banestado
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sábado, 12 de dezembro de 1998
Leandro Donatti 
O veterano Celso Sabóia, 78 anos, tem reunião marcada nesta segunda-feira pela manhã no Palácio Iguaçu para acertar com o governador Jaime Lerner (PFL) a sua nomeação como presidente do Banestado. Sabóia foi convidado pelo atual secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, para ficar no lugar de Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia, que está demissionário desde a última terça-feira.
Com larga experiência na área bancária, Sabóia disse que aceitou o convite e falava ontem como presidente do Banco. Acabou vazando antes da hora. Eles me convidaram e eu topei, declarou. Como presidente do Banestado, além de encaminhar a instituição para sua privatização, Sabóia informou que pretende atacar a inadimplência. Tentaremos contornar com cuidado, sinalizou.
A decisão de Lerner foi tomada na quarta-feira. Giovani Gionédis (Fazenda); Miguel Salomão (Planejamento); José Cid Câmpelo Filho (Governo); e Reinhold Stephanes Junior (Administração), tinham a informação, que era para ser mantida em sigilo até o anúncio do governador. A ordem era manter a cortina de fumaça e insistir nas indicações de Ibrahim Fayad e de Aldo Almeida.
Sabóia tem noção dos planos reservados pelo Banco Central para o Banestado. O BC defende a tese de que os bancos não devem ser mantidos nas mãos dos estados. Eu sei disso. Sei também que bem tocado, com honestidade, o Banestado sobreviveu 70 anos, considerou. Para ele, assumir a direção do Banestado a caminho da privatização é um desafio a ser encarado.
Celso Sabóia já foi presidente do Banestado em seis governos estaduais. Ele dirigiu o Banco nos quatro anos da administração Ney Braga (PFL), parte do governo Paulo Pimentel (PFL) e nos governos de Haroldo Leon Perez, Parigot de Souza, Emílio Gomes e Jayme Canet Junior. Sabóia foi diretor do Banco Central, em Brasília, no começo do governo do presidente João Batista Figueiredo.
Sabóia foi levado a Brasília pelas mãos dos ex-ministros Karlos Rischbieter e Mário Henrique Simonsen (já morto). Quando o Simonsen se desentendeu com o Figueiredo, tive que sair do governo federal, conta o novo presidente do Banestado. Ele disse que antes de retornar ao Paraná, decidiu dedicar-se à carreira política. Entre 1982 a 1986 exerceu mandato como deputado federal.
Funcionário de carreira do Banco Central e do Banco do Brasil - ele ficou 13 e 18 anos respectivamente exercendo funções técnicas - Celso Sabóia está aposentado e mora em Curitiba. Ele também já foi presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o penúltimo do Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep), liquidado por determinação do BC.
Saneado O novo presidente do Banestado, Celso Sabóia, vai assumir o banco paranaense logo após o Senado ter aprovado na tarde da última quinta-feira um empréstimo estimado em R$ 4,4 bilhões do governo federal para o Paraná. O dinheiro será repassado em forma de títulos públicos e deverá ser devolvido em 30 anos, com juros de 6% ao ano. Do total, R$ 4,3 bilhões serão injetados no Banestado, que até meados do ano que vem deve ser entregue à iniciativa privada. Os outros R$ 100 milhões vão para a Agência de Desenvolvimento, que cuida do fomento no Estado.


