Sabóia desiste de presidir Banestado
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Leandro Donatti 
O governador Jaime Lerner (PFL) passou o dia ontem em contato permanente com seu staff à procura de um novo presidente para o Banestado. O veterano Celso Sabóia, de 81 anos, que aceitou na última sexta-feira o convite do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, para ficar no lugar de Manoel Garcia Cid, voltou atrás e entregou pela manhã uma carta-renúncia desistindo da indicação. Sabóia alegou ao secretário problemas de saúde para conduzir o processo envolvendo o Banestado rumo à privatização.
Não tenho condições físicas de aguentar esse rojão. Tenho problemas de coluna, pressão alta, estresse e já tive hérnia de disco. O peso dos anos está falando mais alto, disse, depois da conversa de duas horas com Gionédis, na sede da Secretaria da Fazenda, em Curitiba. Não sou nenhum Roberto Marinho. Estou velho para essas coisas, emendou Sabóia, que permanece no Conselho de Administração do Banestado. Ele disse que quer contribuir de outra forma no processo Banestado, mas não como presidente.
O risco de ter seus bens indisponibilizados pelo Banco Central, caso o socorro federal de R$ 4,3 bilhões não estanque o rombo do Banco, também pesou, segundo fontes ligadas a Sabóia. Ele ficou quase quatro anos com todos os seus bens pessoais bloqueados pelo BC devido à liquidação do extinto Badep, em março de 1991. Sabóia, que já figurava como ex-presidente, foi relacionado na lista dos 50 diretores e membros do governo que ficaram com seus bens indisponíveis e só conseguiu a liberação na Justiça.
O recuo de Sabóia deixou o governador Jaime Lerner (PFL) furioso e sem ação. Lerner já havia confirmado a sua indicação em solenidade na última segunda-feira. Ontem, o governador teve de refluir. Recebi a notícia (da desistência de Sabóia) através do secretário da Fazenda. Lamento profundamente e até o final de semana designo outro presidente, prometeu. Lerner disse que, junto com o novo presidente, anuncia a nova diretoria do Banestado. Isso é um assunto encerrado, disse para pôr fim às especulações.
A retirada de Celso Sabóia na discussão da nova diretoria reacende as chances do vice-presidente, Aldo Almeida, ser efetivado na função. O vice responde interinamente pelo Banestado e tem um perfil técnico, como exige o Banco Central. Gionédis não quis adiantar se o governo já tem outros nomes para o cargo. O governo tem pressa na definição, com receio de que a vacância retarde o saneamento. O BC também estaria pressionando o Palácio Iguaçu para tomar a decisão o quanto antes. Depois de escolhido por Lerner, o nome do novo presidente passa pelo crivo de uma assembléia no Banco.


