RUTH BOLOGNESE
Discriminação no Passeio Público
Uma grave denúncia de discriminação entre espécimes deverá abalar a campanha de reeleição do prefeito Beto Richa nos próximos dias na capital. O parque mais conhecido e antigo da cidade, o célebre Passeio Público, exibe aos visitantes diferenças radicais entre o tratamento dado aos pássaros tucanos dos seus colegas de gaiolas.
Privilégios
As quatro aves-símbolos do PSDB, partido do prefeito, que ora vivem no Passeio Público, ocupam viveiros que mais parecem sala de estar: têm direito a piso de cimento e, para descansar os corpinhos azuis à sombra, contam com vasos de palmeirinhas, fênix e plantas ornamentais, comumente usadas nas entradas de escritórios e ante-salas de gabinetes oficiais.
Enquanto isso, os colegas pássaros vivem em piso de chão batido e dependurados em galhinhos secos, totalmente chinfrins.
Revolta
A ração distribuída nos viveiros, aparentemente, é a mesma, mas há informações de gaivotas, que circulam livremente pelo Passeio, sobre grandes quantidades de minhocas ainda vivas que chegam só para os quatro representantes do partido do prefeito.
No horário gratuito
Tudo isso, que pode ser verificado por visitante de qualquer espécie, inclusive a humana, mais desatenta, revolta os pássaros que não pertencem à elite tucana e o assunto deverá ser levado ao horário eleitoral, abaixo-riscado pelos moradores engaiolados do local.
Todos eles têm penas, mas não terão pena nenhuma do Beto Richa.
Sem efeito
Tentar impugnar candidaturas por firulas jurídicas, como o PT está fazendo com Beto Richa, não tem efeito algum e ainda mostra fraqueza e desconfiança no próprio taco.
Lady Gleisi deveria evitar rasteiras desse tipo.
Sabedoria mineira
Uma das maiores lições de como fragilizar um adversário foi dada por Tancredo Neves quando disputava com Paulo Maluf a eleição indireta à Presidência da República.
Diante do boato da desistência de Maluf, Tancredo fez um apelo público para que ele permanecesse, alegando a defesa da legitimidade do processo eleitoral.
Tiro em defunto.
'Sólita?'
É impressão ou as principais lideranças do PT estão fazendo corpo mole na campanha de Gleisi Hoffmann à Prefeitura de Curitiba?
Gente como Jorge Samek, da Itaipu Binacional, deputados federais Ângelo Vanhoni e Dr. Rosinha sequer aparecem ao lado da candidata nos eventos da campanha
No Parlasul
Neste final de semana, por exemplo, o Dr. Rosinha, na novíssima condição de presidente do Parlamento do Mercosul, o Parlasul, está em Montevidéu apresentando seu plano de trabalho para os próximos seis meses. Tem tantos projetos em andamento que dificilmente terá tempo na agenda para dar sequer um pulinho em Curitiba.
Ângelo Vanhoni ainda não deu o ar da graça. E Samek só vive na ponte aérea entre Foz do Iguaçu e a granja do Torto, onde Lula mora.
Senador fora
Isso, sem falar no senador Flávio Arns, que já deixou claro que vai manter um distanciamento obsequioso da campanha do PT em Curitiba por conta de mágoas passadas e mal resolvidas com a candidata.
Resta a Gleisi o apoio da militância e do maridão Paulo Bernardo, ministro do Planejamento de Lula.
Ecologista, sim
O ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura, é o mais novo ambientalista do pedaço. Assinou protocolo para estimular o investimento das cooperativas no mercado de carbono e afirmou: ''Eu até posso dizer que sou um ambientalista.''
Mudança
É uma mudança e tanto. Prático como sempre foi, Stephanes nunca se preocupou muito com o lado clorofila do planeta.
Agora, critica pecuaristas que queimam a Amazônia para criar gado. Mais um pouco e vai usar colete igual ao colega Carlos Minc, o que lhe ficaria bem. Colete rejuvenesce.
Daltônicas
De raspar o tacho
Nos últimos meses que antecedem à aposentadoria, a funcionária do banco fez as contas e descobriu que ia perder parte do salário. Não lamentou. Saiu gastando o que tinha e o que não tinha.
Uma pequena vingança contra tempos mais difíceis.





