RUTH BOLOGNESE
Segredos de Justiça
Os 14 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná, que arquivaram as investigações sobre irregularidades e superfaturamento na construção do Anexo da sede do próprio Tribunal, deram um péssimo exemplo a todos os paranaenses.
A começar pela sessão decisiva, secreta.
Custo astrônomico
As denúncias, antigas, ainda do tempo do presidente Otto Luiz Zponholz, foram apontadas pela Comissão de Obras do TJ e começaram pelo custo da obra, que pulou de R$ 28 milhões previstos para quase o dobro, R$ 48 milhões.
Noves fora
Entre os 25 desembargadores que participaram da sessão do Órgão Especial, nove foram contra o arquivamento e dois não se manifestaram, um claro sinal que pelo menos um grupo queria dar andamento às investigações.
Problema do vizinho
A decisão do TJ, de empurrar para debaixo do tapete as dúvidas sobre a construção do prédio que já ocupa, vem num momento em que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão abrindo a caixa preta da vizinha Assembléia Legislativa. E encontrando vícios condenáveis, e práticas mais ainda, entre nossos legisladores.
Dever de Ofício
Diante de tal situação e na condição de órgão máximo a decidir pela boa (ou má) conduta social de todos os paranaenses, poderes Executivo e Legislativo aí incluídos, o Tribunal de Justiça teria que ser a primeira instituição a cultivar a transparência dentro do próprio quintal.
Até para mostrar a lisura da construção da obra ou, se fosse o caso, punir os culpados.
Confissão de culpa
O inadmissível é 14 desembargadores, em sessão secreta, deixarem dúvidas em aberto, como estas, que corroem facilmente, tanto a credibilidade, como o respeito ao TJ, e são elementos essenciais, inerentes à Justiça.
Dominó x Sanepar
Foi há dez anos que o Governo Lerner assinou um acordo mandrake entre a Sanepar e a Dominó Holding, representante da empreiteira Andrade Gutierrez, Banco Opportunity e o grupo Vivendi, francês.
A principal estrela da Holding era, com se sabe, o banqueiro-prodígio à época, Daniel Dantas, preso ontem pela Polícia Federal como quadrilheiro, lavador de dinheiro e chegado a um passeio nas Ilhas Cayman.
Contra a Sanepar
Pelo acordo, depois transformado em pacto, o Dominó ficou com 39,7% das ações e passou a mandar como gente grande na Sanepar, na condição de ''sócio estratégico'' algo tão esotérico quanto suspeito.
Coisa de ''pai'', Jaime Lerner, para ''filho'', Daniel Dantas.
Com razão
E foi o governador Requião quem salvou de boa a Sanepar com ações na Justiça contra o acordo e aumento de capital da companhia. Hoje, o grupo privado continua sócio da Sanepar com 34% das ações e sem poder de decisão.
E Daniel Dantas já nem faz parte do Dominó. Foi substituído em 2005 pela Daleth Participações que congrega várias empresas e acionistas minoritários.
Ponto para Requião.
Preço alto
Na real, a nomeação de Maurício para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas garante o futuro do irmão caçula do governador Requião.
Mas não vai sair barato: a imprensa nacional começa a usar a indicação como ''gancho'' para mostrar todos os demais Requiões empregados no governo.
Repetição
O noticiário da Band News, por exemplo, ficou reprisando uma matéria sobre o assunto para todo o Brasil no final de semana. Com todos os detalhes de nepotismo e afins.
FOLHA não errou
Ou o governo não leu com atenção a reportagem desta FOLHA de ontem, sobre as condições precárias da PR-092 feita pelo repórter da editoria de Cidades, Luciano Augusto, ou decidiu corrigi-la para marcar divergência.
Tanto as fotos como os dados e até as informações do DER de Ponta Grossa não carecem de contestação. A estrada é que carece de solução.
Daltônicas
De inocência presumida
No curso de reabilitação do Detran, o Instrutor do Trânsito usa de uma certa ironia diante de motoristas calejados e com multas por infrações até o pescoço:
''Aqui, eu já sei, só tem inocente''.
Não tinha um, nem pra remédio, lógico.





