RUTH BOLOGNESE
Por uma verbinha a mais
Os funcionários públicos paranaenses, do quadro fixo e inativo, encerraram a semana de Corpus Christi 5% mais ricos. O que não quer dizer muita coisa, mas é sempre um troquinho a mais no bolso. Já os servidores com Cargos em Comissão na Assembléia Legislativa foram simplesmente tungados pelos seus próprios amos e senhores. Ficaram a ver navios e não reclamaram. Por que tamanha injustiça, meu Deus do Céu? E por que o bico calado?
Acontece que, como sempre acontece na Casa do Povo, os deputados têm culpa no cartório. Em silêncio, também pra não variar, cada deputado recebeu, recentemente, uma verbinha a mais de gabinete de R$ 7.500,00 que passa a cair na conta todo mês. Um agrado geral para ser distribuído entre os escolhidos por eles mesmos e assim melhorar a vida de todo mundo. E perguntem se a verbinha teve destino democrático? Não teve. Os deputados assobiaram e ninguém tocou em assunto de verba nenhuma. E, então, perguntariam os mais ingênuos nestas artes da política, por que os Comissionados da Assembléia não se levantam em uníssono e não reclamam a parte que lhes cabe neste latifúndio?
Simples, meu caro Watson: vão-se os 5% mas fica o emprego. Ou algum deles seria louco de botar o guiso no pescoço do gato que lhe paga o pão de cada dia?
E assim La Nave Vá na Casa do Povo...
Contra o absolutismo
Ainda tímido, ainda pequeno, mas começa a surgir um movimento dentro das Instituições de Ensino Superior do Paraná, IES, contra o decreto estadual nº. 3.498 de 23/08/2004, que deu ao governador Roberto Requião, nestes últimos 4 anos, poderes ilimitados para agir na área universitária. E desde então, muita gente de gabarito entre professores, funcionários e até reitores receberam constantes vetos do governador para defender suas teses de doutorado no Exterior, e mesmo de participar de eventos científicos. E isso aconteceu mesmo com recursos já aprovados pela própria Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, SETI, a quem as Universidades Estaduais são subordinadas, Fundação Araucária, Capes, CNPq e até agências internacionais. O veto é feito sem justificativas.
Os servidores da área da educação superior que se sentem prejudicados pelo decreto 3.498 estão com dados nas mãos que mostram critérios rígidos nas autorizações anteriores, feita pelos próprios reitores, o que não justificaria a interferência direta do Palácio Iguaçu e do próprio governador. O movimento ainda é tímido, mas pode crescer. Está em jogo, afinal, a tão propalada autonomia universitária.
A favor dos que defendem a revisão do tal decreto está aí a globalização pra não deixar nenhuma dúvida: atualmente, 30% dos estudantes e professores que frequentam universidades e defendem teses fora dos seus países de origem, em todo o mundo, são chineses. Os bolsistas japoneses recebem, junto com a ajuda de custo, uma verba diferenciada para participar de todo e qualquer seminário, ou encontro, em todo o mundo, que se relacione com o assunto que estão estudando.
E o velho Eliezer Baptista, o fundador da Cia Vale do Rio Doce, defendia que a empresa mandasse seus funcionários, de qualquer instância, para o maior número possível de viagens ao Exterior. E contava, do alto da experiência dele, que nada melhor para abrir a cabeça de brasileiros do que viajar pelo mundo a trabalho. ''No começo,'' dizia Eliezer Baptista, ''eles podem até voltar com a mala cheia de bugigangas, gastar dinheiro numa ou noutra noitada regada à uísque e boas companhias. Mas, depois de algumas viagens, viajam apenas com uma pastinha e só trazem na bagagem um conhecimento importantíssimo para suas empresas.''
A Vale do Rio Doce, que se tornou uma das maiores do mundo, agora privatizada, mostrou que ele tinha razão.





