RUTH BOLOGNESE
Deputado por um dia
A TV Sinal de Gato, aquela que transmite as atribuladas tarefas dos nossos parlamentares no núcleo duro da Assembléia Legislativa, está perdendo uma grande oportunidade.
Poderia oferecer, como grande atração, o reprise daquele quadro do Silvio Santos, ''Cinderela por um dia'', adaptado à Casa do Povo.
A vez de cada um
Para participar do quadro ''Deputado por um dia'' os paranaenses interessados teriam que apresentar os seguintes requisitos:
1) Ser deputado;
2) Ler e explicar o significado de uma frase. Pode ser de cartilha;
3) Ouvir um discurso inteiro no plenário. Não precisa entendê-lo;
4) Divulgar os vencimentos que recebe, incluindo as verbas da Casa;
5) Usar terno e manter a elegância. Ao mesmo tempo;
6) Abrir os armários do próprio gabinete. Inclusive aqueles com esqueletos;
7) Conviver com fantasmas. Os vivos e o mortos;
8) Respeitar a opção sexual de qualquer um. Sem fazer beicinho;
9) Não confundir contraditório na atividade parlamentar com o mictório da atividade parlamentar. Um é natural e necessário e o outro acontece muito, compromete, mas um dia vai findar, se Deus (e o povo) quiser.
Pelo segundo turno
O deputado Ricardo Barros convenceu a petista Gleisi Hoffmann, que o partido dele, o PP, pode lançar como candidato à Prefeitura de Curitiba o deputado estadual Ney Leprevost (leia-se Leprevô) e conquistar entre 10% a 15% de votos, o que vai garantir o segundo turno.
É tudo o que Gleisi precisa atualmente para evitar um vexame total na disputa contra Beto Richa, o franco favorito.
Sem condições
Este menino, o Leprevô, é esforçado, mas se eu fosse a Gleisi não entrava na conversinha mole de Ricardo Barros, que pensa mais nos recursos petistas para a cidade dele, Maringá, do que no sucesso do PT em Curitiba.
Se tivesse esta bola toda, 10% a 15% dos votos na Capital, Leprevô dispensaria qualquer intermediário nas negociações políticas.
Paranaenses lá
Na Reforma Tributária, o deputado Eduardo Sciarra (DEM), pretende fazer sucesso. Ele vem estudando o assunto com consultoria da MSM, de São Paulo, que trabalha com técnicos e economistas da Fundação Getúlio Vargas.
Aplicação
Quando se cobra aqui, neste espaço, que ocupantes de cargos públicos estudem mais, é sobre isso que se fala: a função parlamentar é de alto nível e o sujeito que se arvora a deputado tem que conhecer os assuntos antes de votar como um cordeirinho.
Sem conhecimento da causa, caem todos na zona do agrião.
Hauly também
Outro deputado que deve se projetar no debate sobre a Reforma Tributária é o Luiz Carlos Hauly (PSDB). Ele entende do assunto e, se não mergulhar na campanha para a Prefeitura de Londrina, terá espaço amplo na Câmara.
Discurso antigo
Hauly é um parlamentar competente, aplicado, e é muito mais respeitado em Brasília, entre seus pares, e também em Curitiba, do que em Londrina, onde já tentou se eleger prefeito por três vezes, sem sucesso.
Santo no Hauly
Parece que Londrina faz baixar o santo em Hauly: o discurso dele na cidade fica muito mala, na base do combate in-can-sá-vel aos corruptos e desonestos e por aí vai.
Lembra um pouco o senador Álvaro Dias na época da ''longa noite do arbítrio''.
Diário de Brasília
E como estamos na área do Planalto Central, continuemos, pois: ontem o ex-ministro de FHC, Euclides Scalco, circulou pelo Congresso Nacional e visitou, entre os outros, os gabinetes dos irmãos Dias, Álvaro e Osmar.
Temas
Dá pra apostar um dedo que as conversas entre políticos paranaenses em Brasília seguem o mesmo roteiro, nesta ordem: falam mal do Requião, comentam que o Beto Richa está muito bem nas pesquisas e que é preciso começar a pensar no futuro do Paraná. Não tem erro.
E, também, não passam disso, conversas.
Daltônicas
De comida de homem
A professora pede que as crianças tragam receitas de comidas feitas pelos pais. Esperavam pães de queijo, bolos e gelatinas. Mas o que veio eram receitas totalmente ''hards'': picanha na brasa, churrasco, coração assado, frango com polenta, paleta de carneiro e por aí vai.
As crianças haviam procurado os pais mesmo, não as mães.





