RUTH BOLOGNESE
Cartões 'cooperativos'
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, está se contorcendo todo para evitar a CPI da Tapioca. Mal sabe que o PSDB já se prepara para exigir explicações das despesas dos cartões corporativos do próprio ministério do Planejamento, pra lá de extraordinárias. Será a CPI da Tapioca no ventilador do gabinete dele.
Em alegre companhia
Para a alegria dos agora 41 leitores (firme aí, primo Reinaldo? E o pessoal de Carambeí mantém a promessa de leitura ou era tudo por causa do chops?) esta coluna retornou à lida diária no mesmo dia em que os nobres deputados iniciaram seus trabalhos na Assembléia Legislativa.
Vantagem
Mas com uma vantagem: não precisou ouvir o governador Roberto Requião ler, durante 1 hora e 15 minutos, o discurso que o assessor Benedito Pires escreveu, furiosamente, durante o final de semana. Teve acesso à cópia oficial.
Paranaoé, Paraná...
Num resumo muito do suscinto, em 13 páginas, pela ordem dos assuntos, o governador Requião leu, na primeira pessoa, os seguintes temas:
1) Imprensa - como diria Voltaire, a imprensa do Paraná é cega, mas eu não vou me fingir de morto;
2) Censura - Nenhum desembargador, nunca, calará a voz do governador quando este mesmo governador, quer dizer, eu, estiver dando receita de ovo frito aos paranaenses;
3) Loas - Da imprensa não quero elogios. Basta a adesão total ao meu governo, aos meus parentes e ao meu jeito bruto de ser;
4) Governo Requião - Com exceção da era mesolítica, ou Idade da Pedra, período em que deputados ainda sonhavam em ser bípedes para tentar pular as cancelas dos pedágios, nunca o Paraná cresceu tanto como no meu governo;
5) Por Ypacaray - o atual governo do Paraná apóia, sim, o bispo baixinho contra o general, também baixinho, na eleição para a presidência do Paraguai. Porque o bispo está na frente e o secretário de Comunicação Airton Pissetti é um pouco mais alto, não habla espanhol, mas não é bobo.
Tudo igual
Depois da leitura das 13 páginas de discurso oficial, os deputados de oposição, por dever de ofício, bateram na tecla de sempre: ausência de um projeto a médio e longo prazo para o Paraná, nem tchum para as denúncias de superfaturamento, nepotismo etc, etc.
Queriam o quê? Que o governador, de corpo presente, fosse na Assembléia Legislativa e dissesse: ''Errei, sim, mas quem não erra?''
Notícias intrigantes
Neste longo recesso à beira do mar de Solimar, balneário que, como todo o nosso Litoral é desprezado pelos próprios paranaenses, do prefeito Beto Richa aos homens do Tribunal de Contas, gente fina aficionada por Santa Catarina, notícias estranhas chegavam a todo momento. Por exemplo:
Censura na Educativa
Por força de lei, a TV Educativa, teúda e manteúda do governo Requião, não pode mais transmitir imagens, olhar feio ou qualquer som produzido pelo governador Requião contra adversários políticos. É difícil entender tal medida porque:
1) Nunca se conseguiu encontrar, em todo o nosso território, à exceção do Padre Roque e do próprio governador, um só paranaense assistindo à TV Educativa;
2) Nunca saiu da boca do governador Requião, à exceção daquela receita de omelete feita com os próprios ovos, qualquer frase que não fosse de crítica a algum adversário. Ou seja, ao proibir a crítica, matou-se os dois coelhos. Nem precisava mais censurar nada;
3) Ao retirar do governador Requião o brinquedinho preferido, quem está correndo risco é o povo do Paraná: sem ter o que fazer, ele vai começar a governar...
Enquanto isso...
E enquanto isso, a TV Sinal de Gato tem um grande desafio pela frente, o de mostrar para todo o Estado o trabalho diário dos parlamentares estaduais.
Dá até dó! Será mostrar o nada sobre coisa nenhuma. Ou o visível do invisível.
Daltônicas
De novos amigos
Aos 80 anos a vó ganhou um casal de periquitos. E agora, antes de dormir, pega o copo de leite morno e a gaiola e leva para o quarto.
O leite é para dar sono e os periquitos para acordá-la de manhã.
- ''Estando viva ou morta'', diz.





