RUTH BOLOGNESE
As 100 maiores
A lista das 100 maiores aposentadorias pagas no Paraná começa com a campeã, de R$ 26.995.41 (Tribunal de Justiça) e vai até a mais pobrinha de R$ 13.455,99 (Polícia Militar).
O maior número destes 100 felizes aposentados, no entanto, ganha além do teto mínimo previsto em lei, no caso, R$ 22.111,25.
Com a mão na massa
Esta lista das 100 maiores aposentadorias paranaenses está nas mãos do governador Roberto Requião já há algum tempo, e tem como base um levantamento feito pela Comissão de Fiscalização e Controle da Assembléia Legislativa, que investigou o assunto há dois anos.
É claro que a documentação mais atualizada, e com todos os detalhes, faz parte do Banco de Dados da ParanáPrevidência.
TC, PM, MP
Só pra se ter uma idéia, tem delegado de polícia aposentado com R$ 24 mil e policial militar com R$ 21 mil. No Tribunal de Contas, então, 23 aposentados ganham acima de R$ 22 mil e o Ministério Público do Paraná não fica muito atrás: tem gente por lá com seus R$ 24 mil.
E esta gente é muito conhecida, e alguns trabalham no atual governo.
Vespeiro
Foi por estas e outras que na segunda-feira, os deputados Waldyr Pugliesi e Luiz Cláudio Romanelli, líder do PMDB, fizeram das tripas coração para segurar a investida do governador Requião nas aposentadorias.
Um dos maiores beneficiados é, por exemplo, o procurador-geral do Estado, Delazari pai, como o próprio nome diz, genitor do atual secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari.
É ou não é um vespeiro de abelha africana?
Pela culatra
Mas, dê no que der, nesta beligerância com o Ministério Público do Paraná, o governador Roberto Requião conseguiu ganhar espaço na imprensa nacional.
Mais como nepotista militante (a expressão é dele próprio) do que como caçador de marajás aposentados.
Nota Pública
A nota oficial distribuída ontem à tarde pelo Ministério Público do Paraná, assinada pelo procurador-geral de Justiça, Milton Riquelme de Macedo, ficou aquém das denúncias feitas pelo governador Requião de manhã.
Argumentos fracos
No Brasil em que vivemos hoje, prometer esclarecimentos dos fatos, como fez a nota oficial do MP, é argumento por demais desgastado. Começou com os Anões do Orçamento e, neste final de semana, estava na boca do ex-ministro Zé Dirceu, um dos 40 quadrilheiros denunciados pelo Supremo Tribunal Federal.
Virou chavão. Ninguém acredita mais.
Outra lista
No fundo, no fundo, a única forma do Ministério Público do Paraná acabar de vez com estas suspeitas colocadas no ar pelo governo Requião é divulgar a lista dos próprios aposentados.
A partir daí, pode retomar o ataque do nepotismo (e de tudo o mais porque assunto contra não falta neste governo), com muito mais força.
Duas perguntas
Tantos anos depois da era Collor, os marajás de aposentadorias ainda continuam sendo um grande mote para discursos políticos.
Por que os marajás sempre vão existir? Ou por que os discursos políticos carecem de criatividade?
Molhadinhos
Quem conta, jura que viu: dia destes em Brasília, quatro caboclinhos aqui do Paraná se confundiram na travessia entre a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, e começaram a andar pelo gramado.
Só que, justo na hora, o regador automático foi ligado e não adiantou nem correr. Saíram todos como pintos molhados e tiveram que correr para o hotel e trocar os terninhos antes das audiências com nossos deputados.
Sem intimidade
É por aí que se percebe a ausência de intimidade entre os políticos paranaenses e o poder central. A grande maioria não sabe nem o caminho certo pra chegar lá.
DALTÔNICAS
De compromisso
Esta é do escritor e jornalista Manoel Carlos Karam, ateu convicto, que enfrenta doença grave, mas não esmorece nem perde o humor, sempre crítico, algumas vezes caústico.
Quem quiser fazer promessa, que faça. Mas não para que eu cumpra.





