Deputados que envergonham
  Debater a redução dos poderes do Ministério Público do Paraná já deveria envergonhar qualquer deputado digno desse nome. Levar o assunto para o Plenário da Assembléia Legislativa e ter deputados como Dobrandino da Silva, Geraldo Cartário e Jocelito Canto se manifestando publicamente contra a liberdade de ação do MP, aí já é uma vergonha para todo o Paraná.

Sem conhecimento
  Se a falta de conhecimento da causa pode ser vista como um atenuante no caso de um deputado que representa milhares de eleitores, então estes aí estão salvos.
  Porque não devem saber que o Ministério Público é instituição com o selo de garantia da Constituição brasileira e qualquer insinuação de retrocesso vira coisa de bocó.

Outros deveres
  Ao invés de perder tempo com o alheio, a Assembléia poderia olhar para o próprio terreiro. Por exemplo, sabe-se que os funcionários efetivos da Casa são 550. O número dos cargos de confiança, ‘‘as boquinhas’’, é mais guardado do que o Terceiro Segredo de Fátima.
  Por que não pedir ao Plenário que examine o assunto?

Comissão fantasma
  Outra coisa: depois de quase duas semanas sumiu a comissão presidida pelo deputado Alexandre Curi que deveria examinar o caso de uma sogra-fantasma. Não se sabe nada nem da sogra, nem do genro (ex-assessor do prefeito Beto Richa), muito menos do emprego que ela tinha na Assembléia.
  Assuntinho bom de desvendar, este, hein, senhores deputados?

Sem Diário
  E o ‘‘Diário da Assembléia’’, que traz todas as decisões sobre contratações, empréstimos, remoções e demissões dos funcionários deixou de circular há um tempão. Deve ter seguido o exemplo da sogra e virado um fantasmão.
  Diante de tudo isso e mais um pouco, não venham os deputados falar de ‘‘politicagem e controle’’ do Ministério Público do Paraná.

Doação de rico
  Deu nesta FOLHA: Paranavaí, no Noroeste do Estado, ficou muito feliz com o adjutório de U$ 80 mil, ou R$ 160 mil, dado pelo governo japonês para a construção de uma unidade de saúde. Ajuda japonesa a países em desenvolvimento.

Doação de pobre
  Ora, isto é troco, coisa de País rico que sabe o valor do dinheiro. Da nossa parte, já doamos R$ 20 milhões para o Paraguai, R$ 30 milhões para a Bolívia, uma fragata para a Marinha da Namíbia, um avião para o Gabão, deixamos pra lá a dívida externa do Quênia e mais alguns caraminguás que o presidente Lula vai deixando por aí quando viaja.

Mais dinheiro
  E entregamos, sem nem piar, mais de R$ 4 milhões para a Quadrilha do Mensalão. Dinheiro aqui, minha gente, tem a rodo.

Deprê total
  A atriz Ítala Nandi, teúda e manteúda do governo do Paraná no Rio de Janeiro, classifica os paranaenses como ‘‘depressivos e facistas’’.
  Tem razão, em parte.

Os motivos
  Quem não cairia em profunda deprê vivendo numa terra onde o pássaro-símbolo é uma gralha e a comida típica tem nome de barro? E um trigoverno que contrata, 40 anos depois a estrela do filme ‘‘A Guerra dos Pelados’’, de Silvio Back, para fazer cinema no Paraná?

Facistas, não  
Quanto ao facismo, discorda-se. Nenhuma ideologia, de esquerda ou de direita, faz a cabeça do paranaense, que quer mesmo é criar uns porquinhos, plantar umas sojinhas transgênicas e ganhar um dinheirinho. E ficar bem longe do Requião.

TV e sensibilidade
  No depoimento sereno, sem lágrimas, quase seco, de Paulo Roberto Caron, pai de Ana Claúdia, a estudante seqüestrada e morta na semana passada em Curitiba, o ‘‘Bom Dia Paranᒒ reproduziu, ontem, um dos momentos mais trágicos da TV brasileira neste ano.
  Pela dor absurda, pela crueldade do fato, pela fragilidade com que expõe, e atinge como um soco, toda a sociedade paranaense.

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