RUTH BOLOGNESE
A volta do deputado insaciável
Pode ser tentativa de espalhar o pânico no plenário da Assembléia Legislativa do Paraná, mas tem um cinegrafista amador que anda oferecendo a redes de TVs locais imagens nítidas do deputado surpreendido recentemente no rala-rala com uma subordinada dentro do carro.
Preocupação
Tudo leva a crer que mais dia menos dia, as imagens virão a público. E nem adianta o deputado insaciável, no desespero de causa, arrancar os cabelos. Isso, se os tiver, lógico.
Nada como um dia atrás do outro. Ou um deputado no banco de trás de um carro. Ou qualquer coisa assim.
Mais baixaria
E a baixaria se espalha: na última semana da eleição na poderosa Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), começa a ficar interessante. Depois do sindicalista-pornô, acostumado a enviar e-mails eróticos para empresários nem tanto, agora vem à tona a história de assédio sexual.
Cantada alemã
Contam as mulheres jovens do Centro de Integração de Trabalhadores e Empresários do Paraná (Cietep), que um dos seus dirigentes, sexagenário, de sobrenome e origem germânica, pegou o lado errado do espírito da ''integração'' e desandou a atrasar reuniões de trabalho até altas horas. Depois, vem o indefectível convite para jantar.
Se a insistência continuar, tudo pode acabar em denúncia na Delegacia da Mulher.
Sem propostas
E dentro do espírito desta coluna de hoje, mais afeita a revistas de capa de plástico do que a um jornal sério e comedido como esta FOLHA, a brava colunista se adianta e avisa: ao contrário da ''gestante'' do presidente do Senado, Renan Calheiros, não aceita propostas para fazer pose para nenhuma publicação do tipo tiro tudo e mais um pouco.
E por um motivo filosófico: não fornece informação maquiada pelos fotoshops da vida. E sem maquiagem...
Problemas multis
A rede Wall Mart, com 4.223 imensas lojas espalhadas pelo mundo inteiro anda penando no Sul do Brasil. Em Londrina teve que recuar porque o prefeito Nedson Micheleti encasquetou de construir um teatro no terreno que a rede pretendia instalar um mega-supermercado.
O teatro não saiu do papel até hoje.
Na fila
E aqui em Curitiba a alta direção da Wall Mart, que fatura mais de US$ 250 bilhões, o equivalente a mais da metade da economia da Argentina, teve que pedir duas vezes para ser recebida em audiência pelo prefeito Beto Richa.
Elegância e deselegância
O elegante chefe de gabinete da prefeitura, Ezequias Moreira, se fez de rogado. A exemplo do governo Requião, que abomina o capital, a opção preferencial dele deve ser o Armazém da Dona Zica, na Vila do Chimbica.
Talento na ficção
O jornalista Fábio Campana, que fez história como assessor político e depois como colunista badalado em Curitiba, é a prova mais cabal de que a crítica política não dá camisa pra ninguém.
Pela literatura
Na maturidade, Campana decidiu apostar em literatura: fundou a Travessa dos Editores e passou a escrever como gente grande. No quarto livro, ''Ai'', lançado agora, furou o bloqueio provinciano e foi considerado pelo rigoroso Caderno 2 do jornal ''O Estado de S.Paulo'' como um dos melhores livros do ano.
Temas locais
Campana escolhe a aldeia como inspiração. Já produziu uma obra-prima pra ninguém botar defeito, o surpreendente ''O último dia de Cabeza de Vaca'', sobre o aventureiro que descobriu as Cataratas do Iguaçu. Agora, em ''Ai'' o narrador é Luiz, um professor de história sempre envolvido com Foz do Iguaçu, a tríplice fronteira, terra do próprio jornalista.
Mudando de lugar
Aos poucos, Campana vai se distanciando da análise política e investindo na literatura. Os governantes perdem um crítico irônico e perspicaz, mas os leitores ganham um escritor de primeira.
Daltônicas
De humor e preconceito
Mais uma do neto Pedro, que anda demarcando território numa família predominada por mulheres e coleciona piadas de homem: ''Macho de verdade é aquele que chega bêbado em casa, encontra a mulher com uma vassoura na mão e pergunta: 'Vai varrer ou vai voar?'''.





