Como um Kennedy
Conforme manchete desta FOLHA de ontem, a polícia do Paraná investiga um complô para assassinar o governador Roberto Requião. Coisa de louco. Louco mesmo.
A última vez que mataram um governante eleito pelo povo, branco, alto, de olhos azuis, carismático, pertencente a um clã tradicional e com um irmão no governo, foi em Dallas, nos Estados Unidos, em 1963.

Lá...
Entre os Kennedys e os Requiões existem algumas diferenças, lógico. Enquanto os primeiros brigavam com a máfia de Chicago, os daqui brigam com a máfia dos bingos. John Kennedy falava para a mídia mundial, comandava a guerra fria contra os russos e queria ver Fidel Castro com a boca cheia de formiga.

...e aqui
Roberto Requião fala para a TV Educativa, o governo dele é que ''tá russo'' e já encheu a própria boca não de formiga, mas de semente de mamona assassina, o que não deixa de ser um perigo.

Sobre Palmas
O que chama a atenção nesta descoberta do complô para assassinar Roberto Requião é a origem. Segundo as investigações comandadas pela Polícia do Paraná, o complô estaria em Palmas, uma cidade a 95 quilômetros de Pato Branco, entre o Centro e o Sudoeste do Estado.

Sem violência
Além do frio que faz por lá, o que se sabe de Palmas é que ficou famosa no Brasil inteiro há exatamente 20 anos, quando um rico fazendeiro da região encomendou o assassinato do jornalista carioca, Leon Eliachar, famoso como o Millor Fernandes.

Complô
Numa época em que maridos mandavam matar mulheres que pulavam a cerca (hoje nem cerca tem mais, que dirá maridos vingativos), o fazendeiro de Palmas fez sim um verdadeiro complô para matar o jornalista, que mantinha um romance com a bela mulher dele, de nome Vera.
Contratou pistoleiros e uma bailarina da noite da região, parecida com a Xuxa, que atraiu Eliachar para uma armadilha, onde os pistoleiros o mataram.

Condenação
Tudo teria dado certo se a bailarina não tivesse esquecido no próprio apartamento do jornalista uma máquina fotográfica com as últimas imagens dela e dele. Todo mundo foi preso e condenado e já cumpriu suas penas, inclusive o fazendeiro.
Depois disso, pouco ou quase nada se falou sobre a fria Palmas, a não ser agora com este novo complô que seria contra Roberto Requião.

Nada a ver
Mas atenção: não está se insinuando aqui qualquer motivo passional para a premeditação do assassinato do nosso líder maior. E se houver algum motivo grave a ponto de provocar complôs e afins contra o governador, que a polícia do Paraná esclareça ou se cale para sempre.
Voltemos pois, ao presente e ao cotidiano.

Novo nome
Se a Prefeitura de Curitiba não anunciar a novidade até o fechamento desta edição, adiantamos em primeira mão: o nome do novo secretário de Relações Institucionais do prefeito Beto Richa é o advogado e ex-deputado federal Nilso Sguarezzi.

Anti-Requião
Sguarezzi sempre se posicionou à esquerda nos mandatos de vereador, deputado estadual e federal e foi aliado de Roberto Requião no passado. Como muitos outros, decepcionou-se e partiu para o ataque.
Hoje, diz que permanece na política para purgar o erro da antiga aliança.

Jornalismo de resultados
O poste instalado na Avenida Avenida Harry Prochet, na zona sul de Londrina, amanheceu sinalizado e cercado. Se foi pela advertência feita aqui, ontem, mostra que esta coluna cumpre seu dever ao evitar que um londrinense mais distraído se esborrache num poste colocado no lugar errado.

Pra que serve
Eis aí a verdadeira função social do jornalismo de resultados: evitar acidentes pelas ruas, levar o povo às missas do São Judas Tadeu, denunciar maus tratos aos animais, mostrar a face desconjuntada e sem-vergonha destes políticos que... eeeiiita! Menos, Ruth, menos.
Melhor ficar com os cachorrinhos maltratados mesmo. São mais inofensivos.

Daltônicas

De definições brutas
Toda vez que chega em casa de cabelo cortado bem curtinho, a diarista já sabe o que a espera. Do marido à filha mais nova, todos passam a chamá-la apenas de ''Sargento''.
Se o corte for rente, a graduação é maior ainda: ''Sargentão''.

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