RUTH BOLOGNESE
Carta premonitória
A história da carta do ex-governador do Paraná Mário Pereira, que antecipou em cinco meses a tragédia da TAM em Congonhas através do relato de um piloto, infelizmente é apenas uma entre centenas de advertências e avisos que as autoridades do setor receberam sobre o aeroporto nos últimos meses de todo o País e do exterior.
Responsabilidade civil
Mas o que Mário Pereira, hoje um disputado engenheiro eletricista trabalhando em São Paulo, quer mostrar ao permitir a divulgação da carta (reportagem de ontem nesta FOLHA) é a ausência da responsabilidade civil que transformou várias áreas do País na casa da ''mãe Joana''.
Fiscalização
O ex-governador chamou a atenção para uma situação indiscutível que cerca a crise aérea: empresas como a TAM não podem simplesmente utilizar os serviços oferecidos pelo governo sem exigir qualidade, segurança e manutenção adequada. Sob o risco de se tornarem cúmplices das tragédias.
Premonição de novo
Depois da cena do top-top do Marco Aurélio Garcia comemorando um possível defeito no avião da TAM, gravada na noite de quinta-feira no Palácio Alvorada, Mário Pereira se tornou, pela segunda vez, um homem que antecipa os fatos.
Novas suspeitas
Um assunto puxa outro: com as suspeitas levantadas sobre o concurso da magistratura de 2006 depois das gravações da Polícia Federal apontando para uma provável fraude para aprovar o genro do ex-ministro Paulo Medina, novas informações vieram à tona.
Na área trabalhista
Escreve um famoso advogado que atua no interior do Paraná, pedindo anonimato, que no concurso para juiz do Trabalho do Paraná, de 2004, eram, de início, mais de mil candidatos de todas as regiões do País, inclusive daquelas onde os cursos preparatórios são os melhores, como São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
No final, foram aprovados seis candidatos: cinco de Curitiba, sendo que quatro deles, servidores do TRT-PR.
Privilégios
No último concurso realizado por esse mesmo Tribunal, continua o advogado, a maior nota da segunda fase (escrita e subjetiva) foi atribuída a uma pessoa (depois aprovada no concurso) que era sócia do mesmo escritório de advocacia de um dos examinadores da prova.
Isso pode ser facilmente comprovado através do site do escritório, onde se informa o ''corpo jurídico'' da banca de advocacia. Pelo edital do concurso, foi divulgada a banca examinadora. Dados objetivos, portanto.
Outras influências
Concursos na área jurídica sempre foram foco de denúncias desta natureza. Por causa disso, e da cobrança da própria sociedade, passaram a ser realizados por entidades acima de qualquer suspeita, como a Fundação Getúlio Vargas e a Universidade Federal do Paraná.
Mesmo assim, ainda são passíveis de influências que vão além da capacidade dos candidatos.
O preço do elogio
Coincide, sobremaneira, a presença (e os afagos) do tarimbado jornalista Mino Carta no governo Requião com os anúncios do mesmo governo na revista ''Capital'', do mesmo Mino Carta.
Fotografia e Cia.
O fotógrafo mais talentoso que passou pela Prefeitura de Curitiba, Nani Góes, que começou a carreira nesta FOLHA, não conseguiu patrocínio da própria prefeitura (que usa até hoje as fotos deixadas por Nani) para o livro que pretende editar sobre a cidade.





