RUTH BOLOGNESE
A hora é agora
A melhor coisa do mundo, depois de uma eleição, é outra eleição em segundo turno. Temos aí o candidato a bi-governador, Roberto Requião no bico do urubu. Perdeu a vitória no primeiro turno, votos e a pose.
E temos aí o Osmar Dias, que ganhou mais votos do que imaginava e a chance de revelar-se, finalmente, como o verdadeiro Urtigão. É o que o Paraná espera.
À la Cicarelli
Agora, é cada um de per si. E nenhum assunto poderá ficar pendente: dos apartamentos em Miami e em Paris da família Requião ao preço final da Fazenda Lagoa da Prata no Tocantins, comprada por Osmar Dias a preço de banana. Ou de mamona. Viva o Segundo Turno!
Sem baixaria, é claro. Mas, a exemplo da Cicarelli, mostrando tudo e mais um pouco.
Silêncio dos inocentes
Duas informações que vão interessar por demais às duas campanhas: visitado na prisão por um amigo, na semana passada, o policial Délcio Rasera, funcionário do Palácio Iguaçu, revelou que gravou mensagem para a TV inocentando Roberto Requião de qualquer responsabilidade nos grampos paranaenses.
Esta gravação, pelo menos, não foi clandestina.
Imagens de Miami
E uma equipe de TV já esteve em Miami filmando o apartamento que pertence à mulher do psicanalista Eduardo Requião, em Miami.
Segundo turno, minha gente, é só emoção.
Pesquisa na rua
A campanha de Osmar Dias tem pressa: colocou pesquisa na rua para começar o próximo horário eleitoral com novos números da preferência popular.
E entre os reforços imediatos de primeiro grau na coordenação de campanha, está o deputado Luiz Carlos Hauly, que desembarca hoje em Curitiba.
Ausência de Beto
Eleição é uma caixinha de surpresa: o prefeito Beto Richa descobriu que não é apoio tão fundamental assim em Curitiba, nem uma máquina de fazer votos.
O muro que tanto amou o soçobrou.
Loura fatal
Álvaro Dias descobriu o quanto de verdade tem aquele título de filme antigo, com a blonde Marilyn Monroe: ''O homens preferem as louras''. Parece que eleitores idem.
Traição vingada
O deputado Rafael Greca descobriu que trair e coçar não adianta nem começar. Traiu o grupo de Jaime Lerner justamente com o maior adversário e não foi eleito. Pior, teve menos voto do que a cantora Mara Lima, que andava pela cidade num carro cor-de-rosa.
Aqui e lá
O Paraná descobriu que tem também similares paulistanos, como Clodovil e Paulo Maluf. O deputado Ratinho foi o campeão de votos para a Câmara Federal e o ex-prefeito Antonio Belinati foi muitíssimo bem votado para a Assembléia Legislativa.
Acordo errado
Na eleição passada, Roberto Requião fez acordo até com o Capeta. Venceu. Nesta, esqueceu que tinha que ter se aliado a São Pedro. Choveu no Paraná e os eleitores do leitinho das crianças não apareceram.
Com fé e sem votos
Padre Roque, pastor Oliveira Filho, pastor Takayama, André Zacharow e Vanderlei Iensen, todos ao lado do Senhor, de fé evangélica, batista ou católica, não chegaram lá.
Com nome e na rabeira
O ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, uma das grandes forças do PFL, ficou ali, na rabeira dos votos. Foi eleito pro um triz.
Sempre no Segundo
E o ''limpinho'' Rubens Bueno, saiu limpo de votos desta campanha. Abandona, portanto, o lugar daquele que leva a eleição sempre para o segundo turno. Lugar ocupado agora por Flávio Arns.
A cara do Paraná
Eram mais de 10 da noite quando deputado Gustavo Fruet chegou sozinho na sede do Tribunal Eleitoral de Curitiba, onde os computadores já revelavam que a votação dele havia ultrapassado os 200 mil votos, recorde absoluto no Paraná. Informado por uma repórter, logo na entrada, o campeão das urnas não levantou os braços pra cima, com o fazem os políticos em tão favoráveis circunstâncias.
Também não saiu distribuindo cumprimentos e abraços de agradecimentos a
torto e a direito, outra mania de seus pares, em quaisquer circunstâncias. Sempre discreto, de cabeça meio de lado, desta vez não escondeu os olhos rasos d'água. Nem o motivo: foi a primeira vez, desde a eleição para vereador, e já na terceira para deputado, que sentiu que os votos já não eram pelo sobrenome Fruet, homenagem dos que nunca esqueceram o velho e bom Maurício, o bem amado curitibano. Eram dele apenas, que honrou o pai e suas virtudes e foi capaz de ir muito, muito além.
O Guga, dona Ivete, é um filho que só lhe dá gosto. E um paranaense que agora tem a cara do Paraná.





