RUTH BOLOGNESE
Os ventos e a política
Os ventos de janeiro trouxeram duas grandes reviravoltas na política do Paraná: o senador Osmar Dias (PDT) declarou-se pré-candidato ao governo estadual e o ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), teve seu nome lembrado como vice de Álvaro Dias, numa coligação... Zzzzzzzzzzzz...
Gente do Céu! Socorro! Borrifem-me! De hoje em diante o lema desta coluna é Sonolência Zero: fala-se sobre a política local, mas ninguém pega no sono. Por favor!
Requião Forever
E atenção, eleitor paranense: quem avisa, amiga é. Se você suspirar e abrir o bocão diante da mesmice da política paranaense, vai acordar em outubro com o governador Roberto Requião reeleito.
E aí serão quatro anos de insônia. Quatro anos com sorte. Porque já tem até carros circulando por Curitiba com a inscrição Requião Sempre.
E o PT?
Então, vamos lá, palitos nos olhos e mente alerta: o senador Osmar Dias (PDT), que deixe de pré-amarelar e venha pra luta. Os nossos homens na CPI dos Correios, Osmar Serraglio
(PMDB) e Gustavo Fruet (PSDB), que se apresentem. E o PT envergonhado, vai ou não vai sair da toca?
Olhem lá o Requião cantando: boi, boi, boi da cara preta...
Sobre o retorno
Ao contrário do cassável José Janene (PP), não desapareci, apenas tirei férias regulamentares. Por insistência do grande número de leitores (vá lá, na verdade foram 12, contando a própria família de Maringá e um antigo vizinho, eterno pretendente), antecipei em um dia o retorno.
Como quase 2 milhões de paranaenses, passei o verão 2006 no nosso Litoral, numa praia chamada Canoas, pedaço de mar bravio entre Miami e Ipanema que, obviamente, nada tem a ver com as originais que lhes emprestam os nomes.
Mesmo sem procurar, as notícias como as próprias bundas, abundaram na praia. E sem qualquer juízo de valor nem sobre umas nem sobre as outras, seguem as mais lembradas:
Shortinho para elas
Em Caiobá, onde os chics se encontram, o sucesso do verão são as caminhadas diárias do prefeito Beto Richa pela praia, nos finais de tarde. Jovem, bronzeado e torneado, Alberto Roberto usa um shortinho tão apertado, mas tão apertadinho que lembra sua posição política atual: é pressão pra tudo quanto é lado em busca de apoio eleitoral.
O mulherio olha e gosta. O eleitor só olha.
Vaia no show
O vereador curitibano, Ney Leprevost (PP), (leia-se Leprevô, como em francês gálico) quis tirar uma casquinha no show do Rapa, em Guaratuba, tentou discursar e foi devidamente vaiado. Assustou-se, engasgou e ouviu o coro mais forte ainda da multidão: Morra! Morra!.
Ou seja, procurou, levou. Uma de-lí-cia de cena.
Saudade
Foi encontrada uma família catarinense, de Herval do Oeste, passando férias no litoral do Paraná o que, desde a guerra do Contestado (disputa pela terra entre os dois Estados em 1913), não acontecia.
Perda ilustre
A descoberta surpreendente só foi possível porque o gurizinho barriga-verde perdeu a cachorrinha Preciosa dele e passou dias perambulando, procurando e jurando que era a última vez que vinha.
A presença da família de catarinas no nosso Litoral, portanto, não é uma tendência em prol do turismo do Paraná. É coincidência.
Polícia na rua
Tal qual no ano passado, a PM pontifica na temporada. Nos finais de tarde, quando os paranaenses saem pra passear na orla (todo mundo vermelho do sol, de roupinha fresquinha e sandália havaiana), tem desfile de carros da PM. É isso mesmo, a PM faz desfile à beira mar, com as sirenas ligadas.
Lembra o Sambódromo. Só que sem as mulatas, sem o brilho e sem a música. Mas com a mesma freqüência: acabou o Carnaval, nem desfile, nem PM nos balneários.
Ricos e pobres
E o Litoral minha gente, é onde se pode medir a classe social do banhista com apenas três dados:
1) Se, ao tomar banho na casa de praia alugada, o banhista ajeita o sabonete, o shampoo, e o condicionador de cabelos na janela do banheiro, é pobre;
2) Se, ao pular as ondas, a sunga do ano passado derrapar e deixar o cofrinho branco aparecendo, além de pobre é gordo;
3) E se, além de tudo isso, sobrevoar as praias de helicóptero nos finais de semana, não é pobre, nem rico: é o Requião mesmo.
DALTÔNICAS
De pequenas diversões
Ao fazer o pedido no microfone do McDonalds, o estudante sempre imita ora um sotaque nordestino, ora um gaúcho, ora um paulistano.
Marca posição nativa e diverte a namorada.





