Fantasmas ocultos
Além dos habituais funcionários fantasmas da Assembléia Legislativa do Paraná, existe outra categoria, a dos fantasmas ocultos. São os parentes dos próprios deputados, lotados em gabinetes de colegas, num troca-troca parecido com o que acontece há séculos em tribunais como o da Justiça e o de Contas.

Sabão em pó
O fenômeno é parecido com comercial de sabão em pó, mas ao contrário. À primeira vista a mancha (o nepotismo) não aparece porque bem protegida pelo engodo (a contratação do parente do colega). Se buscar bem, ou lavar com força, eis que a mancha surge com toda a sua força, mostrando o parente.

Alborghettis e Cia.
Um exemplo, que pode ser apenas a ponta do iceberg: os dois filhos do ex-deputado Luis Carlos Alborghetti, Marcelo e Márcio Luiz são funcionários do gabinete do deputado Geraldo Cartário. Com salários de R$ 2.600,00 e R$ 4.600,00, respectivamente.

Convite
Quem quiser comprovar se ambos são fantasmas meeeeesmo é só convidá-los, de supetão, a apontar o local de trabalho. É capaz que não encontrem nem o endereço da Casa do Povo, que dirá a sala ou a mesa. E alguém acredita que só o Alborghetti empregou os filhos na Assembléia? Que está sozinho nessa?

A lista
Se o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, o nosso ''Lorde de Andirá'', quer mesmo moralizar a folha de pagamentos da Casa, eis aí uma boa oportunidade: divulgar a lista dos fantasmas conhecidos e ocultos que perambulam impunemente pelos corredores.
Uma lista de surpresas com certeza!

Esperança
E qual não seria nossa alegria se o exemplo da Assembléia Legislativa se estendesse, também, para o Tribunal de Justiça (onde se concentra o maior número de parentes de desembargadores por metro quadrado), para o Tribunal de Contas (idem) e, finalmente, para o Governo do Estado? Hein?

Onde andas Osmar?
Como o irmão Alvaro aparece mais do que o Alexandre Garcia na Globo, por conta do grande lago de escândalos de Brasília, o Paraná estranha a ausência quase absoluta do Osmar Dias.
Se for estratégia para não contaminar a imagem, é discutível. Se for ausência mesmo, é preocupante.

Virando o jogo
Sobre Osmar Dias, outro problema. O governo do Paraná está usando em benefício próprio as declarações dele contra a multinacional Monsanto por cobrar taxas exorbitantes pelas sementes de transgênicos. O tom é: ''Viu Osmar, como o governo do Paraná tinha razão ao recusar os produtos transgênicos, viu só?''

Virando o jogo II
O governo do Paraná está transformando a problemática gestão do superintendente do Porto, Eduardo Requião, numa luta do bem contra o mal, do porto público x porto privado. É uma grande encenação. Ninguém está querendo privatizar o Porto nem devolvê-lo ao governo federal.
O que se quer é que, no mínimo, o governo do Estado analise com rigor (e isenção) os relatórios da agência do setor, a Antaq, do Tribunal de Contas da União e do Conselho Portuário sobre a administração de Paranaguá.

A grande coincidência
Justo no dia fatídico de São Paulo 4 x 0 Atlético, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, atleticano de primeira hora, foi a São Paulo debater transporte público com José Serra. Saiu até foto no jornal. Depois, aproveitou para assistir ao jogo. Que coincidência maravilhosa. Só por Deus, mesmo!
Mas dado o resultado da partida, o Alberto Roberto e os atleticanos voltaram pra Curitiba de asa mais caída que papagaio em depressão.

Para ler e pensar
''As Emoções e a Escola'', livro da psicóloga Denise de Camargo, doutora em Psicologia pela PUC-SP, lançado nesta semana em Curitiba, pela Travessa dos Editores, faz uma leitura sensível do ensino no Paraná. É baseado numa pesquisa realizada com estudantes da rede pública do Estado e mostra que a maior parte dos alunos considerados problemáticos é vítima, na verdade, de imperfeições do sistema educacional brasileiro, para o qual a emoção não faz parte dos processos de aprendizagem.
Leitura obrigatória para gente do ramo ou leigos interessados.

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