Por ter o apoio do deputado Celso Russomano (PPB-SP), mais um concurso de miss Brasil ocorre hoje, a partir das 22 horas, em Brasília. O público brasileiro, porém, não vai poder assistir, pela televisão, o desfile que no passado fez fama e bateu recordes de audiência.
Sem a publicidade da TV, o desfile das misses sobrevive do jeito que pode. Russomano dá a mão para o organizador do concurso, o jornalista e publicitário paranaense Danilo Dávila, proprietário de 50 franquias mundiais que tratam das misses.
Russomano até usou a estrutura do próprio gabinete para distribuir os convites necessários à divulgação da disputa. Russomano é vice-presidente do Clube do Congresso e, nesta condição, cedeu a entidade para que as moças possam desfilar os atrativos. Também foi Russomano quem levou as misses para passear no Congresso. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), suspendeu a sessão por alguns minutos, para que os políticos pudessem cumprimentar as beldades dos Estados.
Dávila também é político. Foi fundador do PTB, na segunda fase, com Ivete Vargas. Saiu do partido com a entrada do senador José Eduardo Andrade Vieira (PR) e fundou o PT do B, do qual foi presidente no Paraná até 1997. Mas a sigla, embora definitiva, é menos conhecida do que os concursos atuais de miss. Este é o impasse de Dávila. Como organizador dos concursos de beleza, vai muito bem, vive pelo mundo; como político, não consegue arrumar um deputado para a legenda.
Cada uma das candidatas carrega o desejo de ficar pelo menos entre as 12 primeiras colocadas e, assim, aguardar a possibilidade de ser chamada para representar o Brasil em algum dos inúmeros concursos de miss existentes hoje pela Terra. A primeira colocada tem lugar na fama de um mundo muito particular das misses: a Turquia. Este país, o mais aberto entre os de maioria muçulmana, tem o monopólio dos concursos do Miss Globe, que substituiu em importância o Miss Universo, ao qual concorreu Martha Rocha.
As novas misses sabem que jamais alcançarão a fama da baiana Martha Rocha ou os pés da catarinense Vera Fischer, cada uma mais reverenciada do que a outra. Mas sonham com viagens, fama, convite para fotos em revistas de mulheres nuas, trabalho de modelo, televisão, cinema e teatro. Enfim, uma projeção pessoal que resolva da melhor forma possível a necessidade do emprego e de sobrevivência de todas, jovens de classe média.
‘‘O concurso perdeu o glamour do passado, mas ainda é importante para nós, que desejamos seguir a carreira de modelo’’, disse a baiana Sheila Rodrigues, de 21 anos. Ela, como todas as outras candidatas, quer vencer o concurso, mas acha que só o fato de ser vista por olheiros do Rio e de São Paulo lhe abre grandes perspectivas. Primeiro: transferir-se para a passarela de um destes dois Estados; segundo, ser chamada a posar nua para alguma revista masculina. ‘‘É um trampolim que ninguém pode dispensar’’, afirmou ela.
Há pequenas fraudes no concurso de miss, reveladas sem o menor constrangimento. A miss Espírito Santo, Fabiana Correia Dias, de 20 anos, mora em São Paulo desde os 2 anos. Como não havia ninguém para disputar o cargo pelo Estado dos capixabas, ela foi levada para lá. O mesmo ocorreu com a miss Roraima, que vive em Manaus. Daniela Pitanga tem 22 anos, é filha de militar e está no Amazonas, onde trabalha como modelo e estuda economia.

mockup